VER POR SI MESMO E NÃO CRER – Ensinos de BUDA.
abril 23rd, 2008 at 12:28 pm (Histórias e ensinamentos)
“Citarei a verdade onde a encontrar”.
(Richard Bach)
‘Olho de Hórus’
‘O Portal aos Mistérios’
[Clic nas imagens e textos para abri-los]
“Para quem busca a Verdade, não é importante saber de onde vem determinada idéia, ou qual a sua origem, nem é necessário saber se o ensinamento provém deste ou daquele mestre; o essencial é vê-la e compreendê-la”. (BUDISMO: PSICOLOGIA do AUTOCONHECIMENTO, p. 22. Pensamento. 1999].
Intróito: Entre as jóias de inestimável valor que, ao longo do tempo, nos ofertaram os Mensageiros da Luz, como Melquisedec, Hermes Trismegistos, Jesus Cristo, Krishna, Laotse, e outros, selecionamos da obra acima citada três historinhas de Buda, com preciosos ensinos…
Coragem e Determinação: Assim como aconteceu a Jesus, nem sempre a vida do Buda correu em meio à tranqüilidade e o reconhecimento. Os dados históricos mostram que, como todo verdadeiro guerreiro da Luz, enfrentou obstáculos e calúnias entre ascetas e brâmanes, para dar seu testemunho do significado universal da Doutrina.
Certa vez Buda, advertiu aos discípulos sobre o dogmatismo doutrinário, dizendo: “A doutrina se assemelha à jangada; deve ser considerada não como um fim, mas como um meio; da mesma forma, a jangada é um meio para atravessar, mas não para se apegar”. (Majjhima-Nikaya, I).
Para os ascetas dizia: “Se o homem pudesse conseguir libertar-se dos grilhões que o prendem à terra, apenas pela recusa do alimento ou condições físicas desfavoráveis, o cavalo e a vaca já teriam atingido isto há muito tempo”…
Para os monges brâmanes, Buda salientava: “Pelo que faz o homem ele é um sudra (de casta inferior), da mesma forma é um brahmana (de casta superior, sacerdotal). O fogo aceso pelo brâmane, ou pelo sudra, tem a mesma chama, calor e luz. Por que a separatividade?” - (‘Budismo – Psicologia do Autoconhecimento’, p.25/26. 1999). [®]
Campos de Raphael
HISTORINHAS E ENSINOS DE BUDA – O ‘ILUMINADO’
— Venerável Gautama, as antigas e santas escrituras dos brâmanes foram transmitidas de geração em geração, mediante uma ininterrupta tradição verbal, através da qual os brâmanes chegaram à conclusão absoluta de que a única verdade seria a deles e qualquer outra seria falsa.
Ouvindo isto, Buda perguntou:
— ‘Entre os brâmanes haverá um só indivíduo que pretenda pessoalmente saber e ter visto, por própria experiência, que esta é a única verdade e qualquer outra é falsa?’
— “Não, Senhor” – respondeu o jovem monge com toda a franqueza.
— ‘Então, haverá um só instrutor, ou instrutor dos instrutores dos brâmanes, anterior à sétima geração,. ou ao menos um dos autores destas escrituras, que pretenda saber e ter visto, pela própria experiência, que é a única verdade e qualquer outra é falsa?’
— Não, Senhor! – disse o monge.
— ‘Então, é como uma fila de homens cegos; cada um se apoiando no precedente: o primeiro não vê, o do meio não vê e o último não vê tampouco. Por conseguinte, parece-me que a condição dos brâmanes é semelhante a esta fila de homens cegos’.
E Buda, nesta ocasião, deu a esse grupo de brâmanes um ensinamento de extrema importância:
— “Um homem que sustenta a verdade deve dizer: ‘esta é a minha crença’, mas por causa disto ele não deve tirar a conclusão absoluta e dizer: Só há esta verdade, qualquer outra é falsa”. – (Canki Sutta 95, Majjhima-Nikaya). - [Cf. ‘Budismo: Psicologia do Autoconhecimento’, p.24/25].
2. ‘Da Responsabilidade de Aceitar as Coisas’
Certa vez, Gautama Buda visitou uma pequena vila chamada Kesaputra, no reino de Kosala, cujos habitantes se chamavam Kalamas. E eles lhe fizeram a seguinte pergunta:
— “Senhor, alguns anacoretas [ascetas peregrinos] e brâmanes que passaram por nossa vila divulgaram e exaltaram as suas doutrinas e condenaram e desprezaram as doutrinas dos outros… Passaram outros que, por sua vez, divulgaram e exaltaram as suas doutrinas e também condenaram e desprezaram as doutrinas dos outros. Mas nós, Senhor, estamos sempre em dúvida e perplexos, sem saber qual desses veneráveis expôs a verdade e qual deles mentiu”.
Então o Buda [o Iluminado], respondeu: — Sim, é justa a dúvida que sentis, pois ela se originou de um assunto duvidoso. Agora prestem atenção:
“Não vos deixeis guiar pelas palavras dos outros, nem por tradições existentes, nem por rumores. Não vos deixeis guiar pela autoridade dos textos religiosos, nem por simples lógica ou dedução, nem por aparências, nem pelo prazer da especulação sobre opiniões, nem por verossimilhanças possíveis, nem por simples impressão ou pela idéia: Ele é nosso mestre”.
Mas, Kalamas, desde que souberdes e sentirdes, por vós mesmos, que certas coisas são desfavoráveis, falsas e ruins, então renunciai a elas… e quando souberdes e sentirdes, por vós mesmos, que certas coisas são favoráveis e boas, então deveis aceitá-las e segui-las”.
E, dirigindo-se aos bhikkhus [monges discípulos], disse:
— “Um discípulo deve examinar a questão mesmo quando o Tathagata (o próprio Buda) a propõe, pois o discípulo deve estar inteiramente convencido do valor real do seu ensinamento. Não acreditem no que o mestre diz simplesmente por respeito à personalidade dele”. (Kalama Sutra, Anguttara-Nikaya III, 65). – [Cf. ‘Budismo: Psicologia do Autoconhecimento’, p.23. Ed. Pensamento. 1999]
3. ‘Compaixão Para Com Todos os Seres Vivos’:
“E aquilo que fizerdes ao menor destes meus filhos, a mim o fazeis. Pois eu estou neles, e eles em mim. Sim, estou em todas as criaturas, e todas as criaturas estão em mim. Alegro-me em todas as suas alegrias, e aflijo-me em todas as suas tribulações”. [Clic: ‘Jesus Condenava Maltratar os Animais' - 'O Evangelho dos Doze Santos’].
Certa vez o Mestre [Buda] observava um rebanho de carneiros que avançava lentamente conduzido pelos pastores. Chamou-lhe a atenção uma ovelha com dois cordeirinhos, sendo que um deles, ferido, caminhava penosamente. Buda tomou o cordeirinho ferido em seus braços e exclamou:
— “Pobre mãe, tranqüiliza-te. Para onde fores, levarei teu querido filhote”. — E pensou: “É preferível impedir que sofra um animal, a permanecer sentado nas cavernas contemplando os males do universo”.
Sabendo pelos pastores que, por ordem do rei, o rebanho seria levado, à noite, para o sacrifício e imolado em honra aos deuses, Buda falou: — “Quero ir convosco”. — E os seguiu pacientemente, carregando o cordeirinho nos braços.
Chegando à sala dos holocaustos, observou os brâmanes recitando mantras* [palavras ou frases de poder sagrado no Hinduísmo], e avivando o fogo que crepitava no altar. Um dos sacerdotes, apoiando a faca no pescoço estirado de uma cabra de grandes chifres, exclamou:
— Eis aí, ó deuses, o princípio dos holocaustos oferecidos pelo rei Bimbisara. Regozijai-vos vendo correr o sangue e gozai com a fumaça da carne tostada nas chamas ardentes; fazei com que os pecados do rei sejam transferidos a esta cabra e o fogo os consuma ao queimá-la; vou dar o golpe fatal.
Aproximando-se, Buda disse docemente: — “Não a deixeis ferir, ó grande rei!” — E ao mesmo tempo desatou os laços da vítima, sem que ninguém o detivesse, tão imponente era seu aspecto.
Então, depois de haver pedido permissão, Buda falou da vida que todos podem tirar, mas ninguém pode dar; da vida que todas as criaturas amam e pela qual lutam; a vida, esse dom maravilhoso e caro a todos, mesmo aos mais humildes; um dom precioso para todas as criaturas que sentem piedade, porque a piedade faz o homem doce para com os débeis e nobre para com os fortes. Emprestou às mudas bocas do seu rebanho palavras enternecedoras para defender sua causa; demonstrou que o homem que implora a clemência dos deuses não tem misericórdia, ele que é como um deus para os animais; fez ver que tudo o que tem vida está unido por um laço de parentesco; que os animais que matamos nos deram o doce tributo do seu leite e de sua lã e colocaram sua confiança nas mãos dos que os degolam. E acrescentou:
— “Ninguém pode purificar com sangue sua mente; se os deuses são bons, não podem comprazer-se com o sangue derramado; e se são maus, não podem lançar sobre um pobre animal amarrado o peso de um cabelo dos pecados e erros pelos quais [o homem] deve responder pessoalmente. Cada um deve dar conta de si mesmo, segundo esta aritmética invariável do universo, dando a cada um sua medida segundo seus atos, suas palavras e seus pensamentos esta lei exata, implacável e imutável vigia eternamente e faz com que todos os futuros sejam frutos do passado”.
Falou assim, com palavras tão misericordiosas e com tal dignidade, inspirado pela compaixão e justiça, que os sacerdotes se despojaram dos seus ornamentos e lavaram suas mãos vermelhas de sangue. E o rei, aproximando-se, saudou o Buda com as mãos juntas”. (‘Luz da Ásia’, tradução de Edwin Arnold. Pensamento). [®]
[Extraído de ‘Budismo: Psicologia do Autoconhecimento’, p.25/27. Dr. Georges da Silva & Rita Homenko – Editora Pensamento. 1999].
Magister Lux » Blog Archive » JESUS ERA VEGETARIANO: Condenava os Maus Tratos aos Animais (O Evangelho dos Doze Santos) disse,
maio 6, 2008 at 7:18 pm
[...] e imutável vigia eternamente e faz com que todos os futuros sejam frutos do passado”. [Ver: Historinhas de Buda: 3. Compaixão Para Com Todos os Seres [...]
fred disse,
junho 6, 2008 at 11:40 pm
huahuahuahuahuahuahua! muito boa essa história do sarifício da cabra!
Magister Lux » Blog Archive » ANJOS. Categoria Angelical de Raphael: 'Virtudes'. (Anjos Cabalísticos. Monica Buonfiglio) disse,
agosto 30, 2008 at 10:44 am
[...] Analisam os fenômenos místicos estudando e pesquisando em várias fontes para tirar suas próprias conclusões. Seu lema: “ver para crer”. [Lembra-nos um precioso ensino de Buda em: “Ver e saber por si mesmo, e não crer”. CLIC: ‘Historinhas de Buda’]. [...]
Magister Lux » Blog Archive » CÓDIGO DA VINCI - Santo Graal e Cristianismo Histórico disse,
setembro 24, 2008 at 12:34 am
[...] E transcreveremos excertos desse livro, capítulos 55 e 56, que podem interessar aos que apreciam conhecer um pouco mais sobre cristianismo histórico e simbologia, para tirar suas próprias conclusões. [Cf. ‘Ver Por Si Mesmo e Não Crer‘]. [...]