MUITAS VIDAS, MUITOS MESTRES – Dr. Brian Weiss

Citarei a verdade onde a encontrar”.
(Richard Bach)

Olho-de-Hórus. (Sol). Personifica o Espírito divino, que a tudo vê. ‘Olho de Hórus’ Olho-de-Hórus. (Lua). Personifica a Alma divina: 'A Luz brilha nas trevas'.
‘O Portal aos Mistérios’
[Clic nas imagens e textos para abri-los]
Ciclo de Reencarne
‘MUITAS VIDAS, MUITOS MESTRES’
“Este livro sintetiza o psiquiatra e o místico, a
busca da verdade, e a promessa da própria reencarnação. Sua leitura é como a de um romance absorvente e tão forte que é impossível interrompê-la”. (Harry Prosen. M.D. Pres. Depto. de Psiquiatria e Ciências da Saúde Mental da Escola de Medicina. Wisconsin-EUA).

PREFÁCIO – Brian Weiss
“Sei que para tudo há uma razão. Talvez na hora não tenhamos o discernimento nem a percepção para compreendê-la, porém, com tempo e paciência, ela acaba por se revelar”. (Brian Weiss).

Assim foi com Catherine. Eu a vi pela primeira vez em 1980, quando ela tinha vinte e sete anos; veio ao meu consultório buscando ajuda para sua ansiedade, seus ataques de pânico e fobias. Embora esses sintomas se manifestassem desde a infância, tinham piorado nos últimos tempos. A cada dia ela se sentia emocionalmente mais paralisada e menos capaz de atuar. Estava apavorada e, compreensivelmente, deprimida.

Na época, em contraste com o caos que estava sendo a vida de Catherine, a minha fluía suavemente. Tinha um casamento estável, dois filhos pequenos e uma carreira em ascensão. Desde o início minha vida sempre pareceu dar certo. Cresci num lar cheio de amor. O sucesso acadêmico veio fácil e, no segundo ano da faculdade, já decidira ser um psiquiatra.

Brian Weiss.foto.(TVP.Vidas Passadas.Ano I.nr.4)Formei-me como Phi Beta Kappa, magna cum laude [categoria de estudantes com distinção acadêmica] em 1966, na Universidade de Columbia em Nova York. Em seguida, fui para a Escola de Medicina da Universidade de Yale, onde me graduei médico em 1970. Após o estágio como residente no Centro Médico de Bellevue da Univ. de Nova York, voltei a Yale para completar residência em psiquiatria. Ao terminar, aceitei o cargo de professor na Univ. de Pittsburgh. Dois anos depois, ingressei no corpo docente da Universidade de Miami, chefiando a divisão de psicofarmacologia. Lá alcancei reconhecimento nacional nas áreas de psiquiatria biológica e abuso de drogas.

Depois de quatro anos na Universidade, fui promovido a professor adjunto de psiquiatria da Escola de Medicina e nomeado chefe da psiquiatria num grande hospital em Miami, filiado à Universidade. Nesta época, já publicara trinta e sete ensaios científicos e capítulos de livros na área de psiquiatria. Durante anos de estudo disciplinado, fui treinado para pensar como cientista e médico, moldando-me aos estreitos caminhos do conservadorismo desta profissão. Desconfiava de tudo que não se pudesse provar por métodos científicos tradicionais. Sabia dos estudos de parapsicologia sendo feitos nas principais universidades do país, mas eles não despertavam meu interesse. Pareciam-me muito artificiais.

As Vidas Passadas de Catherine

Portal para outra Realidade.(Col.Viva Melhor.p.10)E então, encontrei Catherine. Durante dezoito meses utilizei os métodos convencionais de terapia para ajudá-la a superar seus sintomas. Quando nada pareceu funcionar, tentei a hipnose. Numa série de transes hipnóticos, recordou-se de fatos ligados a suas “vidas passadas”, que se revelaram a causa do que estava sentindo. E pôde atuar como canal de informação de ‘entidades espirituais’ altamente desenvolvidas, revelando, através delas, vários mistérios da vida e da morte. Em apenas alguns meses os sintomas desapareceram, e pôde retomar sua vida mais feliz e em paz do que nunca.

Nada em meu passado me preparara para isso. Fiquei totalmente surpreso quando as coisas aconteceram. Não tenho explicação científica para esses fatos; há muita coisa acerca da mente humana que se encontra além da nossa compreensão. Hipnotizada, Catherine fôra capaz de focalizar o seu subconsciente, que armazenou lembranças reais de vidas passadas, ou, quem sabe, interceptado aquilo que o psicanalista Carl Jung denominou de inconsciente coletivo, a fonte de energia que nos cerca e contém a memória de toda a raça humana.

Os cientistas estão começando a procurar essas respostas. Enquanto sociedade temos muito a ganhar com as pesquisas Carl Jung consultando o ‘I Ching’.(Ilustração.Superinteressante.jan.2007)sobre os mistérios da mente e da alma; a continuação da vida após a morte e a influência das experiências de vidas passadas em nosso comportamento atual. As ramificações são ilimitadas principalmente nos campos da medicina, psiquiatria, teologia e filosofia. Há pesquisa cientifica rigorosa nesta área [TVP - Terapia de Vidas Passadas], contudo, está engatinhando. Existem progressos nas investigações, mas o processo é lento e esbarra na resistência de cientistas e leigos.

Em toda a história, a humanidade tem resistido às mudanças e à aceitação de novas idéias. A tradição histórica está repleta de exemplos. Quando Galileu descobriu as luas de Júpiter, os astrônomos da época recusaram-se a aceitar, ou até a olhar esses satélites, porque a existência deles era incompatível com suas crenças. O mesmo acontece com psiquiatras e outros terapeutas, que se recusam a examinar e avaliar o número considerável de provas acerca da sobrevivência após a morte física e das lembranças de vidas passadas. Seus olhos permanecem firmemente cerrados.

‘Muitas Vidas, Muitos Mestres’.(Ed.Salamandra.1991).Este livro é a minha pequena contribuição para as pesquisas que vêm sendo feitas no campo da parapsicologia, especialmente no ramo que trata de nossas experiências anteriores ao nascimento e após a morte. Tudo o que está aqui descrito é verdade. Nada acrescentei, suprimi apenas as repetições. Alterei ligeiramente a identidade de Catherine para garantir o sigilo. Levei quatro anos para escrever -, quatro anos para reunir coragem e assumir o risco profissional de revelar esses fatos nada ortodoxos.

Certa noite, enquanto tomava banho, de repente me senti compelido a colocar no papel a experiência. Tive a forte sensação de que o momento chegara e não deveria mais guardar o que sabia; devia dividir com os outros o que aprendi e não mantê-lo mais em segredo. O conhecimento viera através de Catherine, e agora cabia a mim transmiti-lo. Estava consciente de que nenhuma conseqüência que eu viesse a enfrentar seria tão arrasadora como a de não compartilhar o conhecimento que adquirira sobre a imortalidade e o verdadeiro sentido da vida…

A História da Regressão de Catherine – (cap.1)

‘Lembranças passadas’.(Col.Viva Melhor.p.13).

A primeira vez em que vi Catherine, ela usava um vestido vermelho forte e folheava nervosamente uma revista, na sala de espera do meu consultório. Estava visivelmente sem fôlego. Vinte minutos antes, andava no corredor do Depto. de Psiquiatria, de um lado para o outro, tentando manter seu compromisso e não sair correndo. Entrei na sala para recebê-la e nos cumprimentamos. Notei que tinha as mãos frias e úmidas, confirmando a sua ansiedade. Foram necessários dois meses para que tivesse coragem de marcar uma hora comigo, ainda que tivesse sido insistentemente aconselhada a fazer isto por dois médicos da equipe, em quem ela confiava. Finalmente, estava ali.

Ilustração.(Vida & Saúde).Catherine é extraordinariamente atraente, com cabelos louros semilongos e olhos cor de mel. Ela trabalhava como técnica de laboratório no hospital onde eu era chefe da Psiquiatria, e ganhava um dinheiro extra como modelo de roupas de banho. Acompanhei-a até minha sala, indicando-lhe uma cadeira grande de couro depois do sofá. Sentamo-nos em frente um do outro, com uma mesa em semicírculo entre nós. Catherine recostou-se na cadeira, calada, sem saber por onde começar.

Esperei, preferindo que o início fosse escolha dela, mas, depois de alguns minutos, indaguei sobre o seu passado. Naquela primeira consulta, começamos a esclarecer quem ela era e por que viera me ver. Respondendo às perguntas, Catherine revelou a história de sua vida. Era a filha do meio, fora educada numa família católica conservadora, de uma cidadezinha de Massachusetts. O irmão, três anos mais velho, era muito forte e gozava de uma liberdade que nunca lhe permitiram. A irmã mais nova era a preferida dos pais.

Quando começamos a conversar sobre os seus sintomas, tornou-se sensivelmente mais tensa e nervosa. Falava rápido, inclinando-se para frente e apoiando os cotovelos sobre a mesa. Sua vida sempre fora sobrecarregada de temores. Tinha medo de água, de engasgar, a ponto de não conseguir engolir pílulas, tinha medo de avião, do escuro e terror de morrer. Ultimamente, estes medos estavam piorando.

Para se sentir segura, dormia dentro do armário embutido do apartamento em que morava. Antes de conseguir pegar no sono, ficava umas duas ou três horas acordada. Ainda assim, o sono era leve e intermitente, e ela acordava várias vezes. Os pesadelos e as crises de sonambulismo que atormentarama sua infância tinham voltado. Os medos e os sintomas a paralisavam cada vez mais, e a depressão era crescente. Enquanto ia falando, pude perceber como era profundo o seu sofrimento. Durante anos ajudei pacientes que, como Catherine, viviam a agonia de seus temores, e senti-me confiante em poder ajudá-la também.

Resolvi começar investigando a sua infância, procurando a Hipnos, deus do sono; irmão de Tânatos.(’Mente&Cérebro’.nr.13)fonte original de seus problemas. Quase sempre este tipo de abordagem contribui para o alívio da ansiedade. Se fosse necessário e ela conseguisse engolir algumas pílulas, eu lhe daria uma leve medicação ansiolítica, para ajudar no processo. Este era o tratamento preconizado pelos manuais para os sintomas de Catherine, e nunca hesitei em usar tranqüilizante ou mesmo medicamentos antidepressivos para tratar casos graves e crônicos de fobia e ansiedade. Hoje, uso este recurso com mais moderação e só temporariamente, se for o caso. Nenhuma droga pode alcançar as verdadeiras raízes desses sintomas. Minha experiência com Catherine e outros iguais a ela provou isto. Sei agora que existe cura e não apenas a supressão ou camuflagem dos sintomas.

Na primeira sessão, procurei estimulá-la a voltar à infância. Como se lembrava de pouquíssimos fatos, considerei a hipnoterapia como possível atalho para vencer sua repressão. Ela não conseguia se lembrar de nenhum momento particularmente traumático quando criança que pudesse explicar os temores que lhe assolavam a vida. Mas, à medida que se esforçava, puxando pela memória, fragmentos isolados vieram à tona.

Aos cinco anos mais ou menos, entrou em pânico quando alguém a empurrou de um trampolim para dentro da piscina. Ela disse que antes mesmo do incidente, já não se sentia confortável dentro d’água. Aos onze anos, a mãe caiu em grave depressão. A estranha atitude de retraimento da mãe em relação à família tornou necessária a ida a um psiquiatra e a conseqüente terapia com eletrochoques. O tratamento afetou a memória de sua mãe.

Catherine ficou assustada, mas disse que, quando a mãe voltou a ser “ela mesma”, não teve mais medo. O pai tinha um longo histórico de alcoolismo e às vezes o irmão de Catherine tinha que ir buscá-lo no bar da esquina. O consumo cada vez maior de bebidas alcoólicas tornava mais freqüente as brigas com sua mãe, que ficava triste e arredia. Mas Catherine considerava este padrão familiar aceitável. As coisas eram melhores fora de casa. Teve namorados no ginásio e se dava muito bem com os amigos, muitos deles conhecidos há vários anos. Achava difícil, contudo, confiar nas pessoas, especialmente as que não pertenciam ao seu pequeno círculo de amizades.

Sua religião era simples e sem questionamentos. Fora ‘Sonho de Salomão.det.pintura.(’Mente & Cérebro.nr.13)educada para acreditar na ideologia e práticas tradicionais católicas e jamais duvidara da veracidade e validade de sua fé. Acreditava que, sendo boa católica e vivendo corretamente na obediência da fé e dos rituais, ganharia o céu; caso contrário iria para o purgatório ou o inferno. Um Deus patriarcal e seu Filho decidiriam isto. Depois, fiquei sabendo que Catherine não acreditava em reencarnação; na verdade, sabia pouco a este respeito embora tivesse lido alguma coisa sobre os hindus.

A reencarnação era uma idéia contrária aos conceitos em que ela fora criada e nos quais acreditava. Jamais lera, nem tinha interesse por qualquer literatura metafísica ou ocultista. Estava tranqüila na sua crença. Quando saiu do colégio, Catherine completou dois anos de curso técnico e formou-se laboratorista. De posse de uma profissão e incentivada pela mudança do irmão para Tampa, conseguiu um emprego em Miami, num hospital-escola filiado à Escola de Medicina da Universidade de Miami. Mudou-se na primavera de 1974, aos vinte e um anos.

A vida numa cidade pequena fora bem melhor do que em Miami, mas ela estava contente por ter fugido dos problemas familiares. No primeiro ano na nova cidade, Catherine conheceu Stuart. Casado, judeu, pai de dois filhos, ele era totalmente diferente de qualquer outro homem que conhecera. Era um médico bem sucedido, forte e agressivo. Apesar da atração irresistível entre os dois, sua relação era áspera e tempestuosa. Algo nele mobilizava-a, despertando uma paixão que beirava o enfeitiçamento. Na época em que Catherine começou a terapia, seu caso com Stuart já tinha seis anos e, apesar de complicado, era ainda bastante intenso. Embora maltratada, furiosa com as suas mentiras, com as promessas não cumpridas e as manipulações, Catherine não conseguia resistir a ele.

Vários meses antes da consulta, ela precisou fazer uma cirurgia para a retirada de um nódulo benigno das cordas vocais. A intensa ansiedade que antecedeu a cirurgia transformou-se em pânico quando acordou na sala de recuperação. A enfermeira levou horas para conseguir acalmá-la, Após o período de convalescença no hospital, ela procurou o Dr. Edward Poole. Ed era um pediatra muito amável que Catherine conhecera aio trabalhava no hospital. Desde o início ambos sentiram forte empatia, que evoluiu para uma grande amizade.

Catherine sentia-se à vontade para conversar com ele, falar sobre seus medos, o seu relacionamento com Stuart e a impressão de estar perdendo o controle sobre sua própria vida. Ele insistiu para que ela marcasse uma consulta comigo, e ligou-me para falar de sua indicação, explicando que, por algum motivo, achava que só eu poderia compreender Catherine verdadeiramente, ainda que outros psiquiatras também tivessem ótimas credenciais e fossem hábeis terapeutas. Mas Catherine não me ligou.

Oito semanas se passaram. No atropelo das minhas tarefas como chefe do Departamento de Psiquiatria, esqueci o telefonema de Ed. Os medos e as fobias de Catherine pioraram. O Dr. Frank Acker, chefe da cirurgia, conhecia Catherine há anos e sempre brincava com ela, quando visitava o laboratório onde ela trabalhava. Ele notou sua infelicidade e percebeu-lhe a tensão. Várias vezes quis lhe dizer alguma coisa, mas hesitou. Uma tarde, indo de carro para um hospital menor, mais afastado, onde daria uma conferência, viu Catherine ao volante, dirigindo-se para casa, e, impulsivamente, lhe fez sinal para que fosse até o acostamento. “Quero que procure o Dr. Weiss, agora!”, gritou pela janela. “Sem demora”. Embora os cirurgiões sejam muitas vezes impulsivos, até Frank surpreendeu-se com a própria ênfase.

A freqüência e a duração dos ataques de pânico e de ansiedade de Catherine cresciam. Ela começou a ter dois pesadelos que se repetiam. Num deles, uma ponte ruía enquanto ela estava passando. O carro mergulhava na água; presa dentro dele, ela se afogava. No segundo sonho, estava fechada num quarto escuro como breu, tropeçava e caía sobre as coisas, incapaz de achar a saída. Finalmente, veio me ver.

Quando tive a primeira sessão com Catherine, não pude imaginar que a minha vida estava para virar de cabeça para baixo: aquela mulher confusa e assustada do outro lado da mesa seria o catalisador e que eu jamais voltaria a ser o mesmo…

Pesadelos repetitivos, ecos do passado – (Cap.2)

‘O Pesadelo’.Grav.de Martin Johann Schmidt.(Mente&Cérebro.nr.13).

Dezoito meses de psicoterapia se passaram, com Catherine vindo me ver uma ou duas vezes por semana. Era paciente boa, falante, capaz de insights* [idéia, percepção repentina, compreensão] e imensamente desejosa de melhorar. Neste período, exploramos seus sentimentos, sonhos e pensamentos. Reconhecendo os padrões repetitivos de comportamento, ela cresceu em termos de compreensão.

Lembrou-se de muitos detalhes importantes do seu passado, tais como as ausências do pai, que era da Marinha Mercante, e das violentas explosões, quando ele excedia na bebida. Compreendeu bem melhor seu conturbado relacionamento com Stuart e expressou sua irritação de forma mais coerente. Achei que ela já deveria ter progredido mais. E o que quase sempre acontece quando os pacientes se recordam de influências desagradáveis do passado, quando aprendem a reconhecer e corrigir padrões comportamentais inadequados, desenvolvendo a percepção e encarando seus problemas a partir de uma perspectiva mais ampla, mais distanciada. Mas Catherine não havia progredido.

A ansiedade e os ataques de pânico ainda a torturavam. Os pesadelos intensos e repetitivos continuavam; não perdera o pavor do escuro, da água e de ficar fechada. O sono não era contínuo e repousante. Sentia palpitações. E continuava recusando os meus remédios, com medo de engasgar com as pílulas. Eu sentia como se tivesse chegado ante uma muralha e, por mais que fizesse, continuava tão alta que nenhum de nós seria capaz de transpô-la. Mas, junto com o sentimento de frustração, veio a determinação. De alguma forma, eu iria ajudar Catherine.

Então aconteceu uma coisa estranha. Embora sentisse um medo enorme de voar e precisasse, para ter coragem, tomar vários drinques no avião, Catherine acompanhou Stuart auma conferência de médicos em Chicago, na primavera de Tutancâmon no Trono Dourado.(Enc.Disney.p.32).1982. Lá, ela o forçou a visitar a exposição egípcia no museu de arte, onde se juntaram a um grupo acompanhado por um guia. Catherine sempre teve certo interesse pelos artefatos do Egito antigo e reproduções de relíquias daquele período. Dificilmente seria uma erudita e sequer estudara sobre aquele tempo na escola, no entanto, de algum modo, as peças lhe pareceram familiares. Quando o guia começou a descrevê-las, ela surpreendeu-se corrigindo-o… e estava certa! O guia ficou surpreso, Catherine espancou-se. Como sabia aquelas coisas? Como tinha tanta certeza de que estava certa, tão segura a ponto de corrigir o guia em público? Talvez fossem lembranças esquecidas de sua infância.

Na consulta seguinte, ela me contou o que acontecera. Meses antes, eu lhe sugerira a hipnose, mas ela teve medo e resistiu. Diante de sua experiência na exposição egípcia, embora relutante, ela agora concordava. A hipnose é uma ótima ferramenta para ajudar o paciente a lembrar incidentes há muito esquecidos. Não há nada de misterioso nisto. É apenas um estado de concentração focalizada. Instruído por um hipnotizador treinado, o corpo do paciente relaxa, aguçando a memória. Já hipnotizara centenas de pacientes e achava o método útil na redução da ansiedade, na eliminação de fobias, na alteração dos maus hábitos e para ajudar a recuperar material reprimido. Vez por outra, conseguia faze-los regredir aos primeiros anos da infância, até os dois ou três anos de idade, despertando assim lembranças há muito esquecidas, que escavam perturbando suas vidas. Eu tinha confiança de que a hipnose ajudaria Catherine.

Dei-lhe instruções para que se deitasse no sofá, com os olhos ligeiramente fechados e a cabeça apoiada num travesseiro. Primeiro nos concentramos em sua respiração. A cada expiração, ela liberava o acúmulo de tensão e ansiedade e, inspirando, relaxava ainda mais. Após vários minutos, disse-lhe para visualizar seus músculos, relaxando progressivamente a partir dos faciais e do queixo, depois o pescoço e os ombros, os braços, os músculos das costas e do estômago e finalmente as pernas. Ela sentia o corpo afundando cada vez mais no sofá.

Disse-lhe, então, para visualizar uma luz forte e branca no alto e dentro da cabeça. Mais adiante, quando fiz a luz descer por todo o seu corpo, isto a fez relaxar completamente os músculos, nervos, órgãos — o corpo inteiro -, fazendo-a cair num estado cada vez mais profundo de relaxamento e paz. A sonolência ia aumentando, assim como a paz e a calma. Finalmente, seguindo minhas instruções, a luz ocupou todo o seu corpo e a envolveu.

Contei de trás para frente, devagar, de dez a um. A cada número, ela entrava num nível mais profundo de relaxamento. O estado de transe se aprofundava. Ela era capaz de se concentrar na minha voz e excluir todos os outros ruídos. No número um, já se encontrava num estado moderadamente profundo de hipnose. O processo todo levara cerca de vinte minutos. Pouco depois, comecei o processo de regressão, pedindo-lhe que lembrasse de fatos em idades progressivamente anteriores. Ela conseguia falar e responder às minhas perguntas, enquanto mantinha um nível profundo de hipnose.

Lembrou-se de uma experiência traumática no dentista, aos seis anos de idade. Recordou-se de forma bastante intensa deter se sentido aterrorizada aos cinco anos, quando alguém a empurrou de um trampolim para dentro da piscina. Na época ela se sentiu sufocada e engasgou, engolindo água. Ao falar sobre isto, no meu consultório, ela começou a sentir falta de ar. Sugeri que a experiência já havia passado e que ela se encontrava fora d’água. A falta de ar parou e ela voltou a respirar normalmente. Continuava em transe profundo.

Aos três anos, ocorreu o pior de tudo. Ela se lembrou de ter acordado no seu quarto escuro e de perceber que o pai estava ali. Ela ainda conseguia sentir o cheiro do álcool a que ele recendia. Ele a tocou e apalpou, até “lá embaixo”. Ela sentiu muito medo e começou a chorar, por isso ele lhe tapou a boca com sua mão áspera. Ela não conseguia respirar. No meu consultório, vinte e cinco anos depois, no sofá Catherine soluçava. Senti que agora sabíamos, que tínhamos obtido a chave.

Estava certo de que seus sintomas desapareceriamCura da Alma.(TVP.Vidas Passadas.ano 1.nr.4)rapidamente. Disse-lhe suavemente que tudo já passara, que não estava mais no seu quarto da infância, mas repousava tranqüila e ainda em transe. Os soluços cessaram. Trouxe-a de volta no tempo, para a sua idade atual. Acordei-a, depois de tê-la instruído, através da sugestão pós-hipnótica, a lembrar-se de tudo que havia me contado. Passamos o resto da sessão discutindo a sua recordação repentina e intensa do trauma com o pai.Procurei ajudá-la a assimilar seu “novo” conhecimento. Ela compreendia agora seu relacionamento com o pai, suas reações diante dela, sua indiferença e o medo que sentia. Ainda tremia quando saiu do consultório, mas eu sabia que a compreensão que ela adquirira compensava o desconforto momentâneo.

Envolvido pelo drama da revelação de suas lembranças Tutancâmon.máscara e peitoral.(’O Egito Antigo’.p.94)dolorosas e profundamente reprimidas, esqueci totalmente de procurar a possível relação infantil com o seu conhecimento dos artefatos egípcios. Mas, pelo menos, ela compreendera melhor o seu passado. Lembrara-se de diversos acontecimentos assustadores, o que me fazia esperar a melhora significativa dos seus sintomas.

Apesar desta nova compreensão, na semana seguinte ela disse que os sintomas permaneciam inalterados, tão graves quanto antes. Fiquei surpreso. Não entendia o que estava errado. Teria acontecido alguma coisa antes dos três anos? Tínhamos descoberto motivos suficientes para o seu medo de sufocar, da água, do escuro, de sentir-se presa, e ainda assim os seus intensos temores e sintomas, a ansiedade descontrolada continuava devastando seus momentos de vigília. Os pesadelos eram tão assustadores quanto antes. Resolvi levá-la a regredir ainda mais.

Hipnotizada, Catherine falava num sussurro lento e cadenciado. Por isso, consegui anotar todas as suas palavras, e as transcrevo integralmente. (As elipses representam as pausas no seu discurso, não são palavras suprimidas, nem o texto foi alterado por mim. Excluí apenas as partes repetitivas). Lentamente, fui levando Catherine até a idade de dois anos, mas ela não se lembrou de nada importante. Disse-lhe, em tom firme e claro: “Volte para a época em que surgiram os seus sintomas.” Eu estava totalmente despreparado para o que veio em seguida…

Recordações de vidas passadas

‘Vejo uma escadaria branca, que sobe até uma construção, um grande prédio branco com colunas, aberto na frente. Não tem portas. Estou usando roupa comprida… uma túnica feita de pano grosseiro. Meus cabelos estão trançados, são longos e louros”.Fiquei confuso. Não tinha certeza do que estava acontecendo.Perguntei-lhe em que ano estava e qual era o Mercado egípcio antigo.(Egitomania.p.55)seu nome. “Aronda… Tenho dezoito anos. Vejo um mercado em frente ao edifício. Cestas… Pode-se carregá-las nos ombros. Vivemos num vale… Não há água. O ano é 1863 a.C. A região é árida, quente e arenosa. Existe um poço, nenhum rio. A água vem das montanhas até o vale”.

Depois que ela descreveu mais detalhes topográficos, disse-lhe para avançar no tempo vários anos e me dizer o que via. “Arvores e uma estrada de pedras. Vejo fogo e comida cozinhando. Meus cabelos são louros. Estou usando uma roupa marrom longa, de tecido áspero, e sandálias. Tenho vinte e cinco anos. Tenho uma filha chamada Cleastra… Ela é Raquel (Raquel era atualmente sua sobrinha; as duas sempre se deram extremamente bem). Está muito quente”.

Eu estava assombrado. Tinha um nó no estômago e sentia a sala fria. Aquilo que ela visualizava e lembrava parecia muito preciso. Ela não hesitava. Nomes, datas, roupas, árvores — tudo tão claro! O que estava acontecendo? Como é que a filha que ela teve naquela época podia ser agora sua sobrinha? Estava cada vez mais confuso. Eu examinara centenas de pacientes psiquiátricos, muitos sob hipnose, e jamais deparara com fantasias como essas — nem mesmo nos sonhos. Disse-lhe para ir até a época de sua morte.

Não sabia muito bem como entrevistar alguém em meio a uma fantasia tão explícita (ou lembrança?), mas buscava acontecimentos traumáticos que pudessem fundamentar seus medos ou sintomas atuais. Os fatos relacionados com a época da morte poderiam ser especialmente traumáticos. Ela descreveu a destruição da aldeia pelo que parecia ser uma enchente ou maremoto:

“Ondas enormes estão derrubando as árvores. Não há para ‘Sereia c.símbolo feminino’.(Código Da Vinci.p.122).onde correr. Está frio, a água é fria. Tenho que salvar o meu bebê, mas não posso… tenho que segurá-lo bem. Afundo, a água me sufoca. Não posso respirar, não consigo engolir… água salgada. Meu bebê é arrancado dos meus braços”. Catherine estava ofegante e com dificuldade para respirar. De repente seu corpo relaxou por completo, a respiração tornou-se profunda e regular. “Vejo nuvens… Meu bebê está comigo. E outras pessoas da minha aldeia. Vejo meu irmão”. Ela estava descansando; essa vida terminara. Continuava em transe profundo.

Eu estava perplexo! Vidas anteriores? Reencarnação? Meu conhecimento clínico me dizia que ela não estava fantasiando tudo aquilo, que ela não inventava. Seus pensamentos, expressões, a atenção com determinados detalhes, tudo era diferente do seu estado consciente. Toda a gama de possíveis diagnósticos psiquiátricos me veio à mente, mas seu quadro psiquiátrico e sua estrutura de caráter não explicavam essas revelações. Esquizofrenia? Não, ela jamais demonstrou qualquer distúrbio cognitivo ou de pensamento.

Nunca tivera alucinações auditivas ou visuais, não ouvia vozes nem tinha visões quando acordada, ou quaisquer outros tipos de estados psicóticos. Não delirava nem se desligava da realidade. Não tinha personalidade dupla ou múltipla. Havia apenas uma Catherine e, conscientemente, ela sabia disso. Não apresentava tendências sociopatas ou anti-sociais. Não era uma atriz. Não fazia uso de drogas, nem ingeria substâncias alucinógenas. O uso do álcool era mínimo. Não tinha doenças neurológicas ou psicológicas que explicassem essa experiência intensa e imediata quando hipnotizada.

Eram lembranças de alguma espécie, mas de onde provinham? Minha reação visceral foi a de ter esbarrado em alguma coisa muito pouco conhecida – reencarnação e lembrança de vidas passadas. Não era possível, eu me dizia, enquanto minha mente cientificamente treinada resistia. No entanto, ali estava, acontecendo bem diante dos meus olhos, Não podia explicar, nas também não podia negar a realidade.

“Continue”, falei, um pouco assustado, mas fascinado pelo Dánae e Zeus.(Jung.’O Homem e Seus Símbolos’.Nova Fronteira).que estava acontecendo. “Não se lembra de mais nada?” Ela recordou fragmentos de duas outras vidas: “Estou com um vestido de renda negra, e tenho rendas negras sobre a cabeça. Meus cabelos são escuros, um pouco grisalhos. É 1756 d.C. Sou espanhola. Meu nome é Luísa e tenho cinqüenta e seis anos. Estou dançando, outras pessoas também estão. (Longa pausa) Estou doente, tenho febre, suores frios… Muita gente está doente, as pessoas estão morrendo… Os médicos não sabem que é por causa da água”.

Levei-a mais à frente no tempo. ‘Estou melhor, mas minha cabeça ainda dói; meus olhos e minha cabeça ainda estão doloridos por causa da febre, por causa da água… Muitos morrem”. Mais tarde, ela me disse que naquela vida fora uma prostituta, mas que retivera essa informação porque ficara constrangida. Aparentemente, enquanto hipnotizada, Catherine podia censurar algumas das lembranças que me transmitia.

Como reconhecera a sobrinha numa vida antiga, perguntei-lhe impulsivamente se eu estivera presente em algumas de suas outras vidas. Estava curioso sobre meu papel, se é que havia algum, nas suas lembranças. Ela respondeu rapidamente, ao contrário de sua descrição das recordações anteriores, muito lenta e ponderada.

“Você é meu professor, sentado na saliência de uma pedra. Patriarca.(Enc.Disney.vol.3).Você nos ensina com livros. É velho e tem os cabelos grisalhos. Veste uma roupa branca (toga) com arremates dourados… Seu nome é Diógenes. Você nos ensina símbolos, triângulos. E muito sábio, mas eu não compreendo. O ano é o de 1568 a.C.” (Aproximadamente mil e duzentos anos antes do famoso filósofo cético grego Diógenes. Este nome não era incomum). A primeira sessão terminara. Outras ainda mais surpreendentes viriam.

Depois que Catherine saiu e durante vários dias, como sempre fazia, refleti sobre os detalhes da regressão hipnótica. Mesmo numa terapia “normal”, muito poucos detalhes escapavam à minha capacidade obsessiva de análise e essa sessão estava longe de ser “normal”. Além disso, eu era bastante cético com relação às idéias de vida após a morte, reencarnação, experiências extracorporais e fenômenos afins. Afinal de contas — o meu lado lógico ruminava — podia ser fantasia dela.

Na realidade, eu não conseguiria provar nenhuma de suas afirmações ou visualizações. Mas eu estava também consciente, embora de uma forma bem vaga, da existência de um outro pensamento menos emocional. Mantenha a sua mente aberta, ele me dizia, a verdadeira ciência começa com a observação. As “lembranças” dela podiam não ser fantasia ou imaginação. Poderia haver algo mais que os olhos – ou qualquer um dos outros sentidos – não estavam vendo. Mantenha a sua mente aberta. Consiga mais dados.

Um outro pensamento me incomodava. Catherine, propensa a sentir ansiedade e medo, não estaria muito assustada para aceitar novamente a hipnose? Resolvi não lhe telefonar. Deixar que ela também digerisse a experiência. Eu esperaria até a próxima semana.

Pesquisando sobre Reencarnação (*) – cap. 3

Processo de reencaranação.(’Reencarnação na História’.ElipseCol.Ano4.nr.10.2007).

 

(*) Veja também: ‘O Renascimento da Alma e Reencarnação’ – ‘O Evangelho dos Doze Santos’, cap. 37.

Uma semana depois, Catherine entrou animada no meu consultório para mais uma sessão de hipnose. Estava linda e mais radiante do que nunca. Anunciou feliz que o seu antigo medo de se afogar desaparecera. O medo de sufocar diminuíra. O pesadelo de uma ponte ruindo não lhe atrapalhava mais o sono. Embora se lembrasse em detalhes do que recordara de suas vidas passadas, ainda não assimilara tudo.Os conceitos de vidas anteriores e reencarnação eram estranhos à sua cosmologia, mas suas lembranças eram tão claras, as visões, sons e odores tão nítidos e tão intensa e imediata a consciência de que estivera lá, sentindo que deveria realmente ter estado lá. Não duvidava disso, a experiência fora muito forte. No entanto, estava preocupada em ajustá-la à sua educação e às suas crenças.

Durante a semana, reli o livro do curso de religiões comparadas que freqüentei no meu primeiro ano em Columbia. Havia de fato referências à reencarnação no Velho e no Novo Testamento. Em 325 d.C., o imperador romano Constantino, o Grande e sua mãe, Helena, suprimiram as que estavam contidas no Novo Testamento. O Segundo Concilio de Constantinopla, reunido em 553 d.C., validou este ato, declarando herético o conceito de reencarnação.

Aparentemente, ele enfraqueceria o poder crescente da Igreja, dando aos homens tempo demais para buscarem a salvação. Mas as referências originais existiam, os primeiros padres da Igreja haviam aceitado a idéia. Os antigos gnósticos – Clemente de Alexandria, Orígenes, São Jerônimo e muitos outros acreditavam ter vivido antes e que voltariam a viver.

Eu, entretanto, jamais acreditara na reencarnação. Na verdade, nunca pensara muito nisto. Embora em minha educação religiosa tivesse aprendido a respeito de uma vaga existência da “alma” após a morte, eu não estava muito convencido. Pertencíamos a uma sinagoga judaica conservadora em Red Bank, uma cidadezinha perto da orla marítima de Nova Jersey. Eu era o pacificador e o político da família. Meu pai era a pessoa da família mais envolvida com a religião. Levava isto muito a sério, como tudo na vida.

Os progressos acadêmicos dos filhos eram as suas maiores alegrias. Ficava muito triste com as brigas em casa e se retirava, deixando a mediação para mim. Ainda que isto tivesse sido um excelente treino preparatório para a carreira de psiquiatra, minha infância foi mais pesada e responsável do que, fazendo uma retrospectiva, eu teria preferido. Ela fez de mim um jovem muito sisudo e acostumado a assumir excessivas responsabilidades.

A vida ali era agitada e barulhenta e eu procurava refúgio em meus livros. Lia sem parar, quando não estava jogando beisebol ou basquete, minhas outras paixões na infância. Sabendo que só através dos estudos poderia sair daquela cidadezinha, por mais confortável que fosse, eu era sempre o primeiro ou o segundo da turma.

Quando recebi uma bolsa de estudos integral para freqüentar a Universidade de Columbia, eu era um jovem sério e estudioso. O sucesso acadêmico continuou vindo fácil. Especializei-me em química, formando-me com distinção. Resolvi ser psiquiatra porque a área somava o meu interesse pela ciência ao fascínio do trabalho com a mente humana. Além disso, a carreira médica permitiria expressar o meu cuidado e a minha solidariedade com os outros.

Nesse meio tempo, conheci Carole numas férias de verão num hotel em Catskill Mountain, onde eu estava trabalhando como ajudante de garçom e ela era hóspede. Sentimos uma atração imediata um pelo outro e um forte sentimento de afinidade e bem-estar. Nós nos correspondemos, namoramos, apaixonamos e noivamos no meu penúltimo ano em Columbia. Ela era inteligente e bonita. Tudo parecia se encaixar no seu devido lugar.

São poucos os jovens que se preocupam com a vida, morte e vida após a morte, especialmente se as coisas vão indo bem e eu não era exceção. Estava me tornando um cientista e aprendendo a pensar num estilo lógico, desapaixonado e de “comprovação”. A faculdade de medicina e a residência na Universidade de Yale cristalizaram ainda mais este método científico. Minha tese de pesquisa era sobre a química do cérebro e o papel dos neurotransmissores, que são mensageiros químicos no tecido cerebral.

Eu fazia parte da nova geração de psiquiatras biologistas, que fundiam as teorias e técnicas psiquiátricas tradicionais com a nova ciência da química cerebral. Escrevi vários ensaios científicos, falei em conferências locais e nacionais, e tornei-me bastante importante na minha área. Era um tanto obsessivo, veemente e inflexível, mas num médico esses traços eram úteis. Sentia-me totalmente preparado para tratar qualquer um que entrasse em meu consultório em busca de uma terapia.

Ramsés III.relevo.pintado no túmulo.(’Egiptomania’.p.49)Então Catherine tornou-se Aronda, uma jovem que vivera em 1863 a.C. Ou era o contrário? E cá estava ela novamente, feliz como nunca. Preocupei-me de novo com o medo que ela poderia ter de continuar. No entanto, ela preparou-se ansiosa para a hipnose e, rapidamente, entrou em estado de transe.

“Estou jogando coroas de flores na água. E uma cerimônia. Meus cabelos são louros e estão trançados. Visto uma túnica marrom com dourado e sandálias; Alguém morreu, alguém da Casa Real… a mãe. Sou uma das criadas, ajudo com a comida. Colocamos os corpos em salmoura por trinta dias. Eles secam e as vísceras são retiradas. Eu sinto o cheiro, sinto o cheiro dos corpos”. Voltara espontaneamente para a vida de Aronda, porém numa outra parte, aquela em que seu dever era preparar os corpos dos mortos.

“Num outro edifício”, continuou Catherine, “vejo corpos; Sarcófagos.p.múmias reais.(Tutancâmon.Biblioteca Egito.p.88).estamos enfaixando-os. A alma continua. A pessoa leva consigo seus pertences, para estar preparada para a próxima vida, mais avançada”. Ela expressava o que parecia ser um conceito egípcio de morte e pós-morte, diferente de qualquer uma de nossas crenças. Naquela religião, o morto podia carregar os seus bens consigo. Ela saiu daquela vida e descansou. Passado alguns minutos, entrou numa época mais antiga…

“Tem alguns edifícios e uma carroça com rodas de pedra. Meus cabelos são castanhos cobertos com um pano. A carroça carrega palha. Estou feliz. Meu pai está lá… Ele me abraça. É… Edward (o pediatra que insistira para que ela me procurasse). Vivemos num vale cheio de árvores. Há oliveiras e figueiras no pátio. As pessoas escrevem em pedaços de papel. São rabiscos engraçados, como letras. Elas escrevem o dia todo, montando uma biblioteca. E 1536 a.C. A terra é árida. O nome do meu pai é Perseu”.

O ano não correspondia exatamente, mas eu estava certo de que era a mesma vida que ela relatara na semana anterior. Fiz com que se adiantasse nesse período. “Meu pai o conhece (ela se referia a mim). Vocês dois conversam sobre colheitas, leis e governo. Ele diz que você é muito inteligente e que eu devo escutá-lo.” Adiantei-a ainda mais no tempo. “Ele (o pai) está deitado num quarto escuro. Está velho e doente. Faz frio… Sinto-me tão vazia”. Ela foi até sua própria morte. “Agora estou velha e fraca. Minha filha está aqui, perto da cama. Meu marido já morreu. O marido da minha filha está aqui e os filhos deles. Há muitas pessoas ao redor”.

Sua morte foi tranqüila desta vez. Ela flutuava. Flutuava? Viagem astral.(’Meditando’.ano.1.nr.2)Isto me fez lembrar os estudos do Dr. Raymond Moody sobre as vítimas de experiências de quase-morte. Seus pacientes se recordavam de terem flutuado e depois voltado para seus corpos. Eu lera o livro vários anos antes e anotei mentalmente para tornar a fazê-lo. Fiquei na dúvida se Catherine poderia se lembrar de mais alguma coisa depois da morte, mas ela só dizia: “Estou flutuando”. Acordei-a e terminamos a sessão.

Estudos e Experiências de Quase Morte

‘Subida ao Empírico’.Hieronymus Bosch.(’Além da Morte’.Ed.Del Prado).

Com um novo e insaciável apetite por qualquer ensaio científico já publicado sobre reencarnação, saí procurando pelas bibliotecas médicas. Estudei os trabalhos de lan Stevenson, um professor de psiquiatria da Universidade da Virgínia muito respeitado e que publicou extensa literatura psiquiátrica. Ele reuniu mais de dois mil exemplos de crianças com recordações e experiências características de reencarnação. Muitas manifestavam a xenoglossia, a capacidade de falar uma língua estrangeira a que nunca haviam sido expostas antes. Seus relatórios são cuidadosamente completos, bem pesquisados e realmente notáveis.

Li excelente análise científica de Edgard Mitchell. Com grande interesse examinei os dados sobre percepção extra-sensorial (ESP) da Dulce University, e os textos do Professor C.J. Ducasse da Brown University, analisei atentamente os estudos do Dr. Martin Ebon, da Dra. Flelen Wambach, da Dra, Gertrude Schmeidler, do Dr. Frederick Lenz e da Dra. Edith Fiore.

Quanto mais lia, mais queria ler. E comecei a perceber, embora me considerasse bem instruído sobre todas as dimensões da mente, que minha formação fôra bastante limitada. Existem bibliotecas repletas com este tipo de pesquisa e de literatura, mas poucas pessoas sabem disso. Muitas dessas pesquisas foram conduzidas, verificadas e reaplicadas por clínicos e cientistas de renome. Estariam todos errados ou iludidos? As evidências eram esmagadoramente comprobatórias, mas eu ainda duvidava. Esmagadoras ou não, achava difícil acreditar.

Tanto Catherine como eu, cada um a sua maneira, já estávamos profundamente afetados pela experiência. Ela progredia emocionalmente e o meu pensamento se expandia em novos horizontes. Catherine estivera atormentada pelos seus medos durante anos e estava finalmente tendo certo alívio. Fosse através de lembranças reais ou de intensas fantasias, eu descobrira uma maneira de ajudá-la e não iria parar agora.

Por um rápido momento pensei em tudo isso, enquanto Catherine caía em transe no início da sessão seguinte. Antes da indução hipnótica, ela relatou o sonho de um jogo numa escadaria antiga de pedras, um jogo que usava um tabuleiro de xadrez furado. O sonho lhe parecera especialmente vivo. Disse-lhe, então, que voltasse a ultrapassar os limites normais do tempo e do espaço, que voltasse ao passado e visse se o seu sonho tinha origem numa reencarnação anterior.

“Vejo degraus que levam até uma torre… voltada para as montanhas, e também para o mar. Sou um menino… Meus Menino e borboletas.(Mente&Cérebro.nr.13cabelos são louros… o cabelo estranho. Minhas roupas são curtas, marrons e branco, feitas de pele animal. Tem uns homens no alto da torre, olhando… guardas. Estão sujos. Jogam um jogo, parece xadrez, mas não é. O tabuleiro é redondo, não é quadrado. Jogam com peças pontudas, como adagas, que se encaixam nos furos. As peças têm cabeças de animais. Território Quirustano (grafia fonética?) dos Países Baixos, cerca de 1473”…

Levei-a até a sua morte. Àquela altura das nossas sessões, eu ainda procurava um único acontecimento decisivo e traumático que pudesse ser a causa ou explicar os seus sintomas na vida atual. Mesmo que essas visualizações notavelmente explícitas fossem fantasias, e eu não estava certo disso, o que ela acreditasse ou pensasse poderia ainda ser a origem dos sintomas. Afinal de contas, eu já vira pessoas traumatizadas por seus sonhos. Alguns podem não lembrar se um trauma infantil ocorreu realmente ou em sonho, mas a lembrança do trauma continua assombrando a vida adulta.

O que eu não avaliara totalmente era que o mal-estar constante e diário de influências corrosivas, como as críticas mordazes dos pais, podem causar traumas psicológicos ainda maiores do que um único fato traumático. Estas influências danosas, porque se misturam no cenário cotidiano de nossas vidas, são ainda mais difíceis de lembrar e exorcizar. Unia criança constantemente criticada pode perder tanta confiança em si mesma e amor-próprio como alguém que se lembra do dia terrível em que foi humilhado.

Uma criança que come pouco todos os dias porque a família ficou pobre pode eventualmente sofrer os mesmos problemas psicológicos de uma outra que passou por uma intensa e única experiência acidental de fome. Logo eu compreenderia que o rebater diário das forças negativas deveria ser reconhecido e resolvido com tanto cuidado quanto o que eu estava dedicando a um único e arrasador acontecimento traumático.

Catherine começou a falar: “Há barcos, como canoas, pintados com cores vivas. Arca de abastecimento. Temos armas, lanças, atiradeiras, arcos e flechas, porém maiores. O barco tem remos grandes e estranhos… todos devem remar. Talvez estejamos perdidos; está escuro. Não há luz, Estou com medo. Há outros barcos conosco (aparentemente um ataque de surpresa). Tenho medo dos animais. Dormimos sobre peles sujas e fedorentas. Estamos fazendo um reconhecimento. Meus sapatos são engraçados, parecem sacos… tiras nos tornozelos… de pele animal. (Longa pausa). Meu rosto queima com o fogo. Meu povo está matando os outros, mas eu não. Eu não quero matar. Estou com a minha faca na mão”.

De repente ela começou a engasgar e a sentir falta de ar. Disse que um guerreiro inimigo a agarrara por trás, pelo pescoço e cortara-lhe a garganta com a faca. Viu o rosto do seu assassino antes de morrer. Era Stuart. Ele estava diferente, mas ela sabia que era ele. Como Johan, ela morreu aos vinte e um anos.

Em seguida ela se viu flutuando sobre o próprio corpo, observando a cena embaixo. Foi impelida até as nuvens, sentindo-se perplexa e confusa, Logo sentiu-se arrastada para dentro de um espaço “diminuto e quente”. Ela estava ‘Criança Dormindo’.Tela.Paula Modershon-Becker.1904.(Mente&Cérebro.nr.13).para nascer. “Alguém está me segurando”, murmurou ela devagar como num sonho, “alguém que ajudou no parto. Está usando um vestido verde e um avental branco. Tem um chapeuzinho branco dobrado nas pontas. A sala tem janelas estranhas… divididas em várias partes. O prédio é de pedra. Minha mãe tem cabelos escuros e longos. Ela quer me segurar. Está com uma camisola de pano grosseiro… esquisito. Dói encostar nele. É… é bom estar novamente ao sol e no calor… É… é a mesma mãe que eu tenho agora!”

Durante a sessão anterior, eu lhe dissera para observar atentamente as pessoas significativas naquelas vidas, para às identificar com as pessoas significativas de sua vida atual. Segundo a maioria dos escritores, as almas tendem a reencarnar em grupo, várias vezes, trabalhando seus karmas (dívidas com os outros e consigo mesmas, lições a serem aprendidas) durante diversas vidas.

Na minha tentativa de compreender esse drama estranho e espetacular que se desenrolava, ignorado do resto do mundo, no meu consultório tranqüilo e quase às escuras, quis verificar essa informação. Senti necessidade de aplicar o método científico, que eu usara rigorosamente nos últimos quinze anos nas minhas pesquisas, para avaliar o material tão extraordinário que fluía dos lábios de Catherine.

Entre uma sessão e outra, ela se tornava cada vez mais mediúnica. Tinha intuições sobre pessoas e fatos que se revelavam verdadeiras. Durante a hipnose, ela se adiantava às minhas perguntas antes que eu tivesse chance de fazê-las. Muitos de seus sonhos tinham uma tendência pré-cognitiva ou premonitória.

Certa ocasião, quando os pais vieram visitá-la, o pai expressou a sua enorme dúvida quanto ao que estava acontecendo. Para lhe provar que era verdade, ela o levou ao hipódromo. Lá, diante de seus olhos, começou a indicar o vencedor de cada corrida. Ele ficou espantado. Certa de ter provado o que queria, pegou todo o dinheiro ganho e deu para o primeiro mendigo que encontrou na saída. Sentia intuitivamente que os novos poderes espirituais que adquirira não deveriam ser usados para ganhos financeiros. Para ela, tinham um significado bem maior.

Disse-me que esta experiência era um tanto assustadora, mas estava tão satisfeita com o progresso que fizera que ansiava por continuar as regressões. Eu estava ao mesmo tempo abalado e fascinado com suas habilidades mediúnicas, especialmente com o episódio do hipódromo. Era uma prova tangível. Ela possuía o bilhete vencedor de todas as corridas. Não era coincidência.

Alguma coisa muito estranha estava acontecendo naquelas últimas semanas e eu lutava para conservar a minha perspectiva. Não podia negar sua capacidade mediúnica. E se esta fosse real e revelasse provas tangíveis, a descrição dos fatos de vidas passadas também seria verdadeira? Ela retornara agora à vida em que acabara de nascer. Essa encarnação parecia mais recente, mas não conseguia identificar o ano. Seu nome era Elizabeth.

“Estou mais velha, tenho um irmão e duas irmãs. Vejo a mesa de jantar… Meu pai está lá… é Edward (o pediatra, novamente no papel de seu pai). Minha mãe e meu pai estão brigando de novo. O jantar é batatas com feijão. Ele está zangado porque a comida está fria. Eles brigam muito. Ele está sempre bebendo… Bate na minha mãe, (A voz de Catherine era assustada e ela tremia visivelmente.) Ele empurra as crianças. Ele não é como antes, não é a mesma pessoa. Não gosto dele. Queria que ele fosse embora”. Ela falava como uma criança.

Minhas perguntas durante essas sessões eram sem dúvida bem diferentes das que eu fazia na psicoterapia convencional, Eu Funcionava mais como guia para Catherine, procurando rever toda uma vida em uma ou duas horas, em busca de fatos traumáticos e padrões nocivos que pudessem explicar seus sintomas atuais.

A terapia convencional é conduzida num ritmo muito mais minucioso e calmo. Cada palavra que o paciente escolhe é analisada em suas nuances e sentidos ocultos. Cada movimento facial, corporal, cada inflexão de voz é considerada e avaliada. Investiga-se cuidadosamente todas as reações emocionais. Montam-se os padrões comportamentais exaustivamente.

Com Catherine, entretanto, os anos passavam-se em minutos. As sessões com ela equivaliam a dirigir um carro de corrida a toda velocidade e tentar reconhecer os rostos na multidão… Voltei minha atenção para Catherine e pedi-lhe que avançasse no tempo. “Estou casada agora. Nossa casa tem um só quarto grande. Meu marido é louro. Não o conheço. (Isto é, não aparecera na vida atual de Catherine.) Não temos filhos ainda… Ele é muito bom para mim. Nós nos amamos e somos felizes”.

Aparentemente ela conseguira escapar da opressão do lar paterno. Perguntei-lhe se poderia identificar a área em que vivia. “Brennington?” Catherine murmurou hesitante. “Vejo livros com capas velhas e estranhas. O maior está fechado por uma presilha. É a Bíblia. As letras são grandes e decorativas… em gaélico* [lingua falada no norte da Escócia e a Irlanda]”. Aqui ela disse algumas palavras que não pude identificar, Não tenho idéia se eram ou não em gaélico.

“Vivemos no interior, longe do mar. Município… Brennington? Vejo uma fazenda com porcos e ovelhas. É a nossa fazenda”. Ela se adiantara no tempo. “Temos dois filhos O mais velho está se casando. Vejo a torre da igreja… uma construção de pedra muito velha.” De repente, sua cabeça doeu, fazendo com que Catherine apertasse a têmpora esquerda. Ela contou que caíra nos degraus de pedra, mas se refez do tombo. Morreu de velhice, na cama e em casa, cercada pela família. Novamente desprendeu-se do seu corpo após a morte, mas desta vez não estava perplexa ou confusa.

“Percebo uma luz forte. É maravilhoso; ela nos dá energia”. Catherine descansava, depois de morta, no intervalo de duas vidas. Passaram-se alguns minutos em silêncio. De repente ela falou, mas não o lento sussurro de sempre. Sua voz agora era rouca e forte, sem hesitações.

“Nossa tarefa é aprender para nos tornarmos à semelhança de Deus através do conhecimento. Sabemos tão pouco. Você está aqui para ser meu professor. Tenho muito que aprender. Pelo conhecimento nos aproximamos de Deus e então podemos descansar. Depois, voltamos para ensinar e ajudar os outros”.

Fiquei sem fala. Aqui estava uma lição de após a sua morte, do estado intermediário. Qual a fonte deste material? Não parecia Catherine. Ela nunca falara assim antes, com essas palavras, usando essa construção de frase. Até o tom da voz era totalmente diferente. Naquele momento não percebi que, embora Catherine tivesse pronunciado as palavras, o pensamento não era dela. Estava retransmitindo o que lhe diziam. Mais tarde identificou os Mestres, almas altamente evoluídas, então sem corpo, como a fonte da afirmação. Eles podiam falar comigo através dela.

Catherine não só podia regredir a vidas passadas como agora estava transmitindo conhecimentos do além. Um conhecimento lindo. Lutei para conservar minha objetividade. Uma nova dimensão fora introduzida, Catherine jamais lera os estudos da Dra. Elizabeth Kübler-Ross ou do Dr. Raymond Moody, que escreveram sobre as experiências de quase-morte. Nunca ouvira falar do Livro Tibetano dos Mortos. Mas estava relatando experiências semelhantes. Isto não provava muita coisa.

Se pelo menos houvesse mais fatos, mais detalhes tangíveis que eu pudesse verificar. Meu ceticismo vacilava, mas persistia. Talvez ela tivesse lido sobre as pesquisas de quase-morte numa revista, ou assistido a uma entrevista na televisão. Embora ela negasse qualquer lembrança consciente de um artigo ou programa sobre este assunto, talvez conservasse uma recordação subconsciente. Mas ela ultrapassou estes textos anteriores e transmitiu uma mensagem vinda do estado intermediário entre duas vidas. Se eu tivesse mais fatos…

Acordada, Catherine lembrou-se de detalhes de suas outras vidas, como sempre. Mas não conseguiu lembrar de nada do depois da sua morte como Elizabeth. No futuro, ela jamais se lembraria de quaisquer detalhes dos estados intermediários. Só se lembraria das vidas.

“Pelo conhecimento nos aproximamos de Deus”. Estávamos a caminho. [Φ]

(Extraído de ‘Muitas Vidas Muitos Mestres’, p.13/45. Edit.Salamandra.1991). [®]

2 comentários

  1. Magister Lux » Blog Archive » TUDO NA VIDA É QUESTÃO DE ESCOLHA - Doug Boyd  disse,

    março 1, 2008 at 7:22 pm

    [...] para trabalhar um relacionamento, então voltamos. Ao terminarmos, seguimos em frente”. (Veja: ‘Muitas Vidas Muitas Mestres’, p.121-122. Dr. Brian [...]

  2. Gleci  disse,

    junho 27, 2008 at 10:12 pm

    Parabéns…fantástica esta narrativa!
    o livro é maravilhoso, com certeza irá ajudar muito na aceitação da reencarnação!

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