EROS E PSIQUÊ – O Mito de Psiquê (Mitologia Grega).

Algumas Palavras… Sobre Eros e Psiquê

“No século II d. C., o escritor romano Apuleio compôs a estória de amor entre Eros e Psiquê (Alma). Na verdade, seu relato tem raízes na mitologia [grega] e guarda profundo significado alegórico. Partindo de dados elaborados pela tradição platônica, mostra que só o amor consegue tornar a alma feliz, e que esta é capaz de enfrentar todos os obstáculos para reencontrar o Amor, filho da Beleza. Por essa razão é que, dentre as várias lendas sobre a origem de Eros, existe aquela que o faz nascer de Afrodite (Vênus), deusa do amor e da beleza”… Dois Caminhos: O primeiro grande filósofo racionalista da história do pensamento ocidental, Parmênides de Eléia (séc. VI a.C.), em seu poema Sobre a Natureza, traça dois caminhos que se oferecem aos mortais: 1º) o das opiniões fundadas nos depoimentos dos sentidos; e 2º) o da certeza alcançada estritamente por meio da razão [iluminada]. “Ao descrever essa segunda via, Parmênides oferece uma versão da origem do universo, como constituído por dois princípios contrários – Luz e Noite [Trevas]. Todas as coisas seriam assim composta pela mescla desses dois princípios em equilíbrio recíproco. Eros [o deus do Amor], o seu intermediário por excelência, aparece então como o autor da mescla que é o fundamento do universo”. [Cf. Mitologia, vol. I, p. 35/36, Abril Cultural, 1973]. Alimento dos deuses – Existe um princípio de que se é o que se come: “Os deuses gregos conquistaram a bem-aventurança e a imortalidade através de perigos e lutas. Sua comida, a ambrosia, “a que mantém a imortalidade”, sua bebida, o néctar, “que a reforça”, e o prazer perpétuo foram alcançados mediante a vulnerabilidade e o trânsito de uma situação incerta para uma outra estável”. [.] [Dicionário Mítico-Etimológico, p. 340, Junito Brandão, Vozes, 1992].

Mito de Psiquê: O amor não pode viver sem confiança

Mitologia Greco-Romana
Psiquê era uma jovem princesa tão bela que de todas as partes acorria gente para admirá-la, e os peregrinos quase não freqüentavam mais o templo de Vênus (Afrodite) para prestar culto à divina Beleza.
Indignada com o fato de uma simples mortal receber tantas honras, a deusa pediu a seu filho Eros, o deus do Amor, que atingisse a jovem com suas setas para enamorar-se do homem mais desprezível.
A beleza da mortal porém era tão grande que, ao ver a princesa, o próprio Eros se apaixona e não lhe lança as setas, ordenadas por sua mãe. E assim, enquanto as duas irmãs de Psiquê casam-se com reis, a jovem mortal, embora amada por um deus, permanece só.
Apreensivo, seu pai consultou o Oráculo de Apolo, o deus de luz e sabedoria. Mas, Eros já procurara Apolo e fizera-o aliado de seu amor. O oráculo aconselha então ao soberano a levar a filha, em vestes nupciais, até o alto de determinada colina. Lá, uma serpente alada, mais forte que os próprios deuses, iria tomá-la como esposa.
Sentindo-se impotente diante das ordens divinas, a jovem princesa prepara-se para as bodas com se fosse seu funeral, e é deixada só na colina. Psiquê em prantos aguardou que se consumasse o seu triste destino. Esgotada pela longa espera, foi tomada de sono e adormece.
Surge então Zéfiro, a doce brisa cujo sopro desabrocha as flores na primavera, e transportou-a adormecida a um prado florido, às margens de um regato cristalino, próximo de um magnífico castelo.
Quando Psiquê desperta, ouve uma voz convidando-a a entrar no castelo; banhar-se e jantar. Mãos invisíveis a servem, mas nenhum temor a aflige. À noite, oculto pela escuridão, Eros cobriu-a de carícias e amou-a, recomendando insistentemente que jamais tentasse vê-lo.
Durante algum tempo, apesar de não conhecer o rosto do esposo, Psiquê sentia-se a mais feliz das mulheres. Saudosa porém de suas irmãs, pede para vê-las. Em vão Eros advertiu que, ao reaproximar-se delas, estaria reatando laços terrenos. Pediu então que se precavesse contra as desgraças que, através das duas irmãs, lhe poderia advir.
Zéfiro levou-as ao castelo, mas invejosas da riqueza e felicidade de Psiquê, as jovens começaram ardilosamente a insinuar dúvidas e desconfiança em seu coração. Diziam que o esposo que desconhecia escondia-lhe o rosto porque devia ser o monstro previsto pelo oráculo.
Aconselharam-na a esperá-lo adormecer e preparar uma lâmpada e uma faca afiada: com a primeira, veria a verdadeira face do esposo; com a segunda, poderia matá-lo, se fosse mesmo o monstro…
À noite, Eros volta e envolve-a em carícias. Mas, quando dorme, a dúvida volta a afligir o coração de Psiquê. Traz a lâmpada, ilumina-lhe o rosto e vê o mais belo semblante que jamais existira. Emocionada, deixa cair uma gota da lâmpada de azeite no ombro do deus.
Eros desperta sobressaltado e, num relance, percebe o acontecido; seu rosto cobre-se de profunda tristeza e foge sem dizer uma palavra. Psiquê tenta alcançá-lo nas trevas; ouve apenas sua voz ao longe que lhe diz em tom de censura: “O amor não pode viver sem confiança”.
Cheia de dor, a jovem pôs-se a errar de templo em templo, implorando o auxílio dos deuses para reencontrar o amor perdido. Temendo a fúria de Vênus-Afrodite, todos recusam-se a auxiliá-la.
Como último recurso, Psiquê decide ir à presença da própria deusa, mas encontra apenas zombaria e a imposição de uma série de provas humilhantes, impossíveis de um mortal realizá-las.
A primeira, era separar até à noite imensa quantidade de grãos de várias espécies; depois, tosquiar a lã de ouro de carneiros selvagens; a terceira prova era buscar um frasco com a água escura do Estige.
Psiquê porém recebe ajuda inesperadas: na primeira, é auxiliada por levas de formigas. Na segunda, os caniços da beira de um regato sugerem-lhe que recolha os fios de ouro deixados pelos carneiros nos arbustos espinhosos. Na terceira, uma águia tirou-lhe o frasco da mão, voou até a nascente do Estige, e trouxe-lhe o líquido negro.
Decepcionada, Vênus (Afrodite) decide impor-lhe ainda uma quarta e mais difícil prova: descer ao Hades (Inferno) e persuadir Perséfone (Prosérpina) a dar-lhe numa caixa um pouco de sua beleza.
No caminho, uma alta torre descreveu-lhe o roteiro para o reino das sombras. Para atravessar à outra margem do Estige, pagar o óbolo ao barqueiro Caronte. Ante o portão do Inferno, guardado pelo feroz Cérbero, o cão de três cabeças, abrandá-lo com um bolo.
Psiquê assim fez e já voltava com a caixa da beleza, quando surge outra prova, agora dentro de si mesma: a vaidade. Acreditando que os sofrimentos e tantas tribulações a tivessem enfeado, resolveu retirar da caixa um pouco de beleza. Mas, ao abri-la, cai em profundo sono.
Eros, que saíra à sua procura, despertou-a com a ponta de uma das setas. A seguir, o deus do Amor dirigiu-se ao Monte Olimpo e pediu a Júpiter (Zeus) para esposar a mortal. O pedido foi aceito, mas seria preciso que, antes, Psiquê se tornasse imortal. O próprio Zeus deu-lhe a ambrosia e o néctar dos deuses, que lhe conferia a imortalidade.
E o casamento sagrado pôde, enfim, ser celebrado… [.]

8 comentários

  1. Eros  disse,

    julho 4, 2008 at 10:45 pm

    Muito bom esse post, em varias definições que lí sobre Eros & Psiquê, essa foi a mais bem colocada.(Esse é meu nome de verdade.)
    Abraços!
    ;p

  2. shay  disse,

    outubro 4, 2008 at 5:06 pm

    muito boa essa história.
    eu já havia lido, mas fiz questão de ler
    novamente pois é muito boa!
    espero que todos que a leiam achem o mesmo que eu.
    bjssssssss

  3. mary  disse,

    fevereiro 9, 2009 at 8:33 pm

    achei um saco…tem letra, palavra é muito ngrande é chato sô”

  4. Caroline  disse,

    abril 15, 2009 at 12:48 pm

    Muito bom este post.Me ajudou muito.

  5. Janelson  disse,

    agosto 17, 2009 at 7:28 pm

    Gosteii bastaante….inda me ajudow no trabalhoo da scoola..rsrsrsrsrs

    flow aew

  6. Thais  disse,

    maio 21, 2010 at 2:45 pm

    Eu amo mitos Gregos
    Mais Eros e Psique é um dos meus preferidos

    PARABÉNS PELO POST

    ♥♥♥♥♥♥♥

  7. Campos de Raphael  disse,

    junho 15, 2010 at 6:45 am

    Oi, Thais! Agradecemos seu comentário. Os mitos gregos são muito elucidtivos e tocam nossa reminiscência espiritual. Jung disse: “Os mitos são narrativas maravilhosas e tratam justamente de tudo aquilo que, muitas vezes, é também objeto de fé”…
    “Das vinte e quatro horas do dia passamos pelo menos dezesseis exclusivamente neste mundo, e as oito restantes em um estado inconsciente. Onde ou quando nos acontece algo que nos lembre, mesmo longinquamente, ocorrências tais como anjos, milagres, etc.? Por isso foi uma descoberta quando se verificou que no estado inconsciente de sono ocorrem certos intervalos denominados “sonhos”, e que nestes sonhos às vezes ocorrem cenas que guardam uma semelhança nada desprezível com os temas dos mitos”. [Cf. AION' - Estudos Sobre o Simbolismo do Si-Mesmo', § 66 e 67. Vozes]. Cordiais saudações! (Campos de Raaphael)

  8. Cristiana Coutinho  disse,

    agosto 26, 2010 at 12:44 am

    Sou estudante de filosofia ( concluinte ). Da Uerj, E vou fazer minha monografia sobre Jung e os mitos. Sou estudante de mitos e adorei o seu Blog.Porém como faço para ter contao com vc e para ter os textos ? Vc manda por e-mail ??? Obrigada, Cris Coutinho

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