A Experiência Cósmica de Carl Jung (EQM)
janeiro 28th, 2006 at 8:49 pm (Psicologia Moderna)
Intróito: Conversando com uma estudante de Psicologia, acabamos descobrindo que jamais ouvira falar na universidade sobre o fato de que Jung, muito antes dos astronautas encantarem-se com a Terra azul vista do espaço, tivera essa mesma visão quando, prestes a morrer, ele se viu fora do corpo físico pairando no espaço.
Além de Jung, existe o relato extraordinário de um cientista dissidente russo, Dr. George Rodonaia, PHD em psiquiatria, que foi atropelado e morto pela KGB, para não exilar-se nos EUA. O corpo foi deixado no necrotério de um hospital em Moscou, durante três dias. Depois do terceiro dia, quando começaram a realizar a autópsia em forma de “T” no seu corpo, ele voltou à esta vida. [O seu depoimento, sobre essa “outra dimensão da vida”, pode ser lido no texto: “EQM – Não Existe Morte”].
Conhecemos de perto pessoas que passaram por essa experiência (EQM) e, por isso, embora alguns psiquiatras e psicólogos ainda tentam explicá-la como alucinações, fantasia, etc., o testemunho de Jung e desse cientista russo, que também trabalha com psicologia, sobre a continuação da nossa existência nessa outra dimensão da consciência, adquirem inestimável valor. – Veja a seguir.
“Experiência de Quase Morte” – C.G. Jung
“No início de 1944, fraturei um pé e logo depois tive um enfarte cardíaco [aos 69 anos]. Durante a inconsciência tive delírios e visões que começaram quando, em perigo de morte, administraram-me oxigênio e cânfora. As imagens eram tão violentas que eu próprio concluí que estava prestes a morrer.
Disse-me minha enfermeira mais tarde: “O senhor estava como que envolto por um halo luminoso”… Eu tinha atingido o limite extremo e não sei se era sonho ou êxtase. Seja o que for, aconteceram coisas muito estranhas.
Parecia-me estar muito alto no espaço cósmico. Muito ao longe, abaixo de mim, eu via o globo terrestre banhado por uma maravilhosa luz azul. Via também o mar de um azul intenso e os continentes… sob os meus pés estava o Ceilão e na minha frente estendia-se o subcontinente indiano.
Meu campo visual não abarcava toda a Terra, mas sua forma esférica era nitidamente perceptível e os contornos brilhavam como prata através da maravilhosa luz azul… Bem longe, à esquerda, uma larga extensão – o deserto vermelho-alaranjado da Arábia. Adiante o Mar Vermelho…
Evidentemente via os cumes nevados do Himalaia, cercados de brumas… Não olhava “à direita”. Sabia que estava prestes a deixar a Terra.
Mais tarde informei-me de que distância dever-se-ia estar da Terra para abarcar tal amplidão: cerca de l.500 km! O espetáculo da Terra visto dessa altura foi a experiência mais feérica e maravilhosa de minha vida”.
[Abrimos aqui um parêntesis para dizer que essa visão inédita de Jung, ocorrida em 1944, foi mais tarde confirmada pelos astronautas espaciais em 1969!].
“Após um momento de contemplação eu me voltei… Parecia-me agora virar em direção ao sul. Algo novamente surgiu no meu campo visual. A uma pequena distância percebi no espaço enorme bloco de pedra, escuro como um meteorito… A pedra flutuava no espaço e eu também.
Vi pedras semelhantes nas costas do Golfo de Bengala. São blocos de granito marrom escuro, nos quais às vezes se escavavam templos. Minha pedra era como um desses escuros e gigantescos blocos”.
“Uma entrada dava acesso ao pequeno vestíbulo; à direita, sobre um banco de pedra estava sentado em posição de lótus, distendido e repousado, um hindu de pele bronzeada vestido de branco. Esperava-me sem dizer palavra. Dois degraus conduziam ao vestíbulo: no interior, à esquerda, abria-se o portal do templo.
Vários nichos cheios de óleo de coco, ardiam em mechas cercando a porta de uma coroa de pequenas chamas claras. Isso eu vira em Kandy na ilha do Ceilão, quando visitava o templo do Dente Sagrado; lâmpadas a óleo cercavam a entrada.
Quando me aproximei dos degraus…do rochedo, ocorreu-me algo estranho: tudo o que tinha sido até então se afastava de mim. Tudo o que acreditava, desejava ou pensava, toda a fantasmagoria da existência terrestre se desligava de mim ou me era arrancada – processo extremamente doloroso.
No entanto, alguma coisa subsistia, porque me parecia então ter ao meu lado tudo o que vivera ou fizera, tudo o que se tinha desenrolado a minha volta. Poderia da mesma maneira dizer: estava perto de mim, e eu estava lá; tudo isso, de certa forma, me compunha. Eu era feito de minha história e tinha a certeza de que era bem eu. “Eu sou o feixe daquilo que se cumpriu e daquilo que foi”.
Esta experiência me deu a impressão de uma extrema pobreza, mas ao mesmo tempo de uma extrema satisfação. Não tinha mais nada a querer nem a desejar; poder-se-ia dizer que eu era objetivo; era aquilo que tinha vivido.
No princípio, dominava o sentimento de aniquilamento, de ser despojado; depois, isso também desapareceu. Tudo parecia ter passado, e o que restava era um fato consumado sem nenhuma referência ao que tinha sido antes. Nenhum, pesar de que alguma coisa se perdesse ou fosse arrebatada. Ao contrário: eu tinha tudo o que era e tinha apenas isso.
Tive ainda uma outra preocupação: enquanto me aproximava do templo, estava certo de chegar a um lugar iluminado e de aí encontrar o grupo de seres humanos aos quais na realidade pertenço.
Então finalmente compreenderia – isso também era para mim uma certeza – em que relação histórica me alinhava, eu ou minha vida. Eu saberia o que houvera antes de mim, porque me tornara o que sou e para o que minha vida tenderia…
Minha vida parecia ter sido cortada por uma tesoura numa longa corrente e na qual muitas perguntas ficaram sem resposta. “Por que aconteceu isso? Por que trouxera comigo tais condições prévias? Que fizera eu dela? O que resultaria?”
Eu tinha certeza de que receberia uma resposta a todas essas perguntas, assim que penetrasse o templo de pedra. Aí compreenderia porque tudo fora assim e não de outra maneira. Eu me aproximaria de pessoas que saberiam responder à minha pergunta sobre o antes e o depois”.
“Enquanto pensava nessas coisas, um fato atraiu minha atenção: de baixo da Europa, ergueu-se uma imagem: era meu médico, ou melhor sua imagem, circundada por uma corrente de ouro ou por uma coroa de louros dourada. Pensei imediatamente: “Ora veja! É o médico que me assistiu! Mas agora aparece em sua forma primeira…a encarnação temporal da forma primeira, que existe desde sempre. Ei-lo agora em sua forma original”.
Sem dúvida eu também estava na minha forma primeira… Não cheguei a percebê-lo, somente imagino que deva ter sido assim. Quando ele chegou diante de mim, pairando como uma imagem nascida das profundezas, produziu-se entre nós uma silenciosa transmissão de pensamentos.
Realmente meu médico fora delegado pela Terra para trazer-me uma mensagem: protestavam contra a minha partida. Não tinha o direito de deixar a Terra e devia retornar. No momento em que percebi essa mensagem a visão desapareceu.
Decepcionei-me profundamente; tudo parecia ter sido em vão. O doloroso processo de “desfolhamento” tinha sido inútil: não me fora permitido entrar no templo, nem encontrar os homens entre os quais tinha o meu lugar.
Na realidade, passaram-se ainda três semanas antes que me decidisse a viver; não podia alimentar-me, tinha aversão pelos alimentos. O espetáculo da cidade e das montanhas que via do meu leito de enfermo parecia uma cortina pintada com furos negros ou uma folha de jornal rasgada com fotografia que nada me diziam.
Decepcionado, pensava: “Agora é preciso voltar ‘para dentro das caixinhas!’”. Parecia, que atrás do horizonte cósmico, haviam construído artificialmente um mundo de três dimensões no qual cada ser humano ocupava uma caixinha. E de agora em diante deveria de novo convencer-me que viver nesse mundo tinha algum valor!
A vida e o mundo inteiro se me afiguravam uma prisão e era imensamente irritante pensar que encontraria tudo na mesma ordem. Apenas experimentara a alegria de estar despojado de tudo e eis que de novo me sentia – como todos os homens – preso por fios dentro de uma caixinha. Quando estava no espaço não tinha peso e nada podia me atrair. E agora tudo terminado!
Sentia resistência contra meu médico porque ele me conduzira à vida. Por outro lado, inquietava-me por ele: “Por Deus, ele está ameaçado! Não me apareceu sob a forma primeira? Quando alguém chega a essa forma é que está para morrer e desde então pertence à sociedade de “seus verdadeiros semelhantes”.
Tive repentinamente o terrível pensamento de que ele deveria morrer – no meu lugar! Procurei fazê-lo entender, mas não compreendeu… Era minha firme convicção de que ele estava em perigo porque eu o vira em sua forma original.
E, com efeito, fui seu último paciente. Em 4 de abril de 1944 – sei ainda exatamente a data – fui autorizado pela primeira vez a sentar-me à beira da cama e neste mesmo dia ele se deitou para não mais se levantar. Pouco depois morreu de septicemia [estado infeccioso]. Era um bom médico; tinha algo de gênio, senão não teria aparecido sob os traços do príncipe de Cos”. [Cos, foi onde nasceu Hipócrates e lugar famoso na Antigüidade, por causa do templo de Esculápio]. [.]
Magister Lux » Blog Archive » O PORTAL AOS MISTÉRIOS – (Magister Lux) disse,
dezembro 19, 2007 at 9:06 pm
[...] 4) Como Carl Jung pôde ver e descrever a Terra envolta em seu halo azul, vinte e cinco anos antes dos astronautas? [Cf. A Experiência Cósmica de Jung (EQM)]. [...]
Fernando Araujo Das Virgens disse,
setembro 10, 2008 at 9:24 am
Em poucas coisas e pessoas eu acredito nesta vida; mas nunca duvido de nada que venha de C.G.Jung.
Fernando da Costa Oliveira disse,
dezembro 13, 2009 at 9:02 pm
Para conhecimento:
Anjos e Demônios de Dan Brown, é escrito em estilo irresistivel e acessivel. Você prefere não dormir só para ler mais um pouquinho, Ele trata de questões que passam pela cabeça de todos: A EXISTÊNCIA DE DEUS, a possibilidade de se ter FÉ em um universo que parece ter profunda indiferença por NÓS, a reconciliação entre o cientifico e o espiritual. Só que o livro leva o conflito entre a razão e a FÉ a uma conflagração apocalíptica.
MARCELO GLEISER – FISICO
mandala disse,
fevereiro 20, 2010 at 5:09 pm
Sincronicidade: antes do carnaval eu recebi de uma amiga esta mesma mensagem sobre Jung e agora descubro este site com a mesma mensagem….
Anônimo disse,
maio 20, 2010 at 10:20 pm
A revelação do self-quântico estar em não-ser, em perder a identidade de ser um espectro vibratório de baixa frequência(ser pensamente tridimensional), em sublimar-se no tempo-espaço, em se deixar ser levado pela Expansão da Consciência para ultrapaçar os limites em busca do campo zero para experimentar uma vida real e imortal e encarnar de volta no corpo hospedeiro para irradiar o conhecimento adquirido na jornada cósmica. No entanto, a maioria dos terráqueos que criticam, por desconhecimento, tal possibilidade quântica de passagem cósmica(experimentada por Jung); nunca admitirão que é mais fácil sovreviver com a mente atrofiada neste mundo ilusório, por temer o desconhecido.
Para essas pessoas fica aqui bem claro que não estamos sobrevivendo mais na idade média onde a história registra a igreja católica vendendo terrenos no céu(Santa inquisição) para arrecadar fundos para se manter no poder. Não precisam mais ter medo de expandir suas mentes por medo subliminar de ter que passar por experiência quase morte(EQM); basta meditar(ouvir o silêncio) para deixar de sobreviver na ignorância e passar a viver plenamente. Luz e Paz a todos.
Campos de Raphael disse,
junho 15, 2010 at 4:55 am
Estou de acordo com você… Mas parece que alguns precisam levar “uma tijolada” ou entrar em crise, para poder acordar e livrar-se da burrice humana, foi o que nos aconteceu… A EQM de minha esposa e paralelamente minha vivência pessoal, aos seis meses de casados, foi que nos despertou para sair em busca da verdade. Cabe a cada um descobrir a verdade dentro de si mesmo… Luz, Saúde e Paz! (Campos de Raphael)
Campos de Raphael disse,
junho 15, 2010 at 7:50 pm
Olá! Se v. fala em Self, deve saber que, através da Sincronicidade, é ele quem constela os acontecimentos significativos, nos quais há uma simultaneidade e co-incidências entre o fato “fora” e outro psíquico “dentro” de nós. No texto ‘SINCRONICIDADE: Nada Acontece ao Acaso na Vida’ – relatamos exemplos que favorecem a compreensão…
O que citou parece mais um evento sincrônico, mais freqüênte quando a mente nossa está voltada para algum tema, filme ou notícias na TV – e não o fator sincronístico. Mas congratulo com você por estar atenta/o ao que acontece a seu redor.
Vale a pena ler também o livrinho precioso, ‘A SINCRONICIDADE E O TAO’, da analista junguiana, Jean Shinoda Bolem… Cordialmente, Campos de Raphael.
Campos de Raphael disse,
junho 20, 2010 at 12:29 pm
Olá! Se bem que seu Comentário, encontra fundamento na história, é bom lembrar que são raras as pessoas que, como Jung, experienciam o self-quântico imortal. Procuro evitar citações bíblicas, mas suas palavras se confirmam no dito:“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento”. (Oséias, 4:6).
Infelizmente o fato é explorado por vários “religiosos”, instrumentos conscientes ou inconscientes de entidades astrais que insuflam e manipulam esse medo subliminar na mente das pessoas. Saulo sofreu na carne essa dupla manipulação, da qual se desvencilhou após a iluminação no Caminho de Damasco, e como Paulo pôde testificar: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue… e sim contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes”. (Efésios, 6:12).
Experienciei, logo no início da caminhada espiritual, o confronto com essas forças. Elas vampirizam a energia humana para poder subsistirem; o que se vê em alguns filmes, como STIGMATA ou MATRIX não é apenas ficção… (Campos de Raphael).