“Cada um Escolhe a Sua Cruz”. (História Real). Campos de Raphael.

“Citarei a verdade onde a encontrar”.
(Richard Bach)
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Olho-de-Hórus. (Sol). Personifica o Espírito divino, que a tudo vê.   ‘Olho de Hórus’   
Olho-de-Hórus. (Lua). Personifica a Alma divina: 'A Luz brilha nas trevas'.
‘Desvelando os Mistérios da Vida’


“Já é o momento de nos perguntarmos se a estreita analogia entre os processos quânticos e nossas experiências interiores e processo de pensamento é mera coincidência”. (David Bohm, ‘Quantum Theory’). [Cf. 'Um Modelo Mecânico-Quântico da Consciência'. 'O Ser Quântico', p.89. Danah Zohar. Edit. Best Seller. 1990]. 

“Certa moradora na roça, já avançada em idade, começou a dar sinais de que “estava nas últimas”, como dizem as pessoas do interior mineiro quando alguém está à beira da morte. E o filho mais velho pediu ao mais moço para procurar uma vela para colocar na mão dela – um costume popular entre as pessoas simples, pois acreditam que a chama da vela pode ajudar o moribundo a atravessar a escuridão da região inferior do Além…

E seu irmão voltou dizendo não ter achado nenhuma vela em casa, e o mais velho o instruiu: “Traz então umas brasas do fogão”… Surpreso, o outro exclamou: “Mas, as brasas vão queimar a mão dela!”… Embora em voz baixa, a discussão fizera a velhinha entreabrir os olhos e ouvir seu filho dizer: “Traz cinzas para forrar sua mão, que as brasas não a queimarão!” A velhinha então sussurrou: “Vivendo e aprendendo”…

Ouvi essa história pela primeira vez em 1993, quando era acompanhante de meu pai idoso, internado no Hospital Andaraí do Rio de Janeiro, e outro senhor da mesma enfermaria, contou esta historieta. Meu pai, possuidor de espírito nobre e altruísta, desconhecia ter nascido sob a influência da categoria de anjos que auxilia a curar os problemas de saúde; ainda assim participava ativamente da ‘Pastoral da Saúde’ no Hospital Andaraí do Rio de Janeiro. Solidário com o sofrimento dos outros, ele levava um violão e cantava junto ao leito de doentes que não recebiam visitas, para amenizar seu isolamento. Estudara música quando adolescente, instado por meu avô, e veio a tornar maestro da banda no município interiorano onde nasci; graças à música conheceu a minha mãe…

 E embora o misterioso fator ‘Sincronicidade’ esteja sempre presente em nossas vidas, desde o início de nosso nascimento na forma física, só me conscientizei dele na maturidade, depois de sofridas experiências e dádivas gratificantes na Escola da Vida. E percebo a sincronicidade, qual Amorosa Mão, atuando o tempo todo por trás de fatos marcantes e ‘coincidências significativas’ que acontecem, externa e internamente na vastidão do ‘pequeno universo’, o microcosmo no qual “vivemos, existimos e nos movemos”…

Jung afirmava: “A razão crítica parece ter há pouco, eliminado, juntamente com numerosas outras representação míticas, também a idéia de uma vida após a morte. Essa eliminação foi possível porque os homens, hoje, se identificam freqüentemente apenas com a consciência e imaginam ser apenas aquilo que conhecem de si próprios… O racionalismo e a doutrinação são doenças do nosso tempo; pretendem ter respostas para tudo”… >

“Infelizmente, o lado mítico do homem encontra-se hoje freqüentemente frustrado. O homem não sabe mais fabular. E com isso  perde muito, pois é importante e salutar falar sobre aquilo que o espírito não pode apreender, tal como uma boa história de fantasmas, ao pé de uma lareira”… >

“O homem mítico reivindica certamente “algo além”, mas o homem na sua responsabilidade científica não pode dar-lhe assentimento. Para a razão, o fato de “mitologizar”  (mythologein) é uma especulação estéril, enquanto que para o coração e a sensibilidade essa atividade é vital e salutar: confere à existência um brilho ao qual não se quereria renunciar”… [Cf. 'Memórias', p. 260/61. C.G. Jung].

Uma obra recente, embora de ficção, levanta esse questionamento atemporal: “Se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar o nosso sofrimento?” [Cf. ‘A Cabana’. William P. Young. Sextante]. E vamos contar uma história real, que acompanhamos de perto, e nos traz resposta a essa pergunta. São fatos verídicos que ilustram melhor, o título deste relato…

Casados há sete anos, vivendo e trabalhando na Cidade Maravilhosa, o fluxo natural de acontecimentos do destino nos levou inesperadamente para São Paulo, para montar um setor técnico da Companhia naquela Capital; após mais dois ciclos de 7 anos, a Companhia me propôs um acordo e adquirimos um apartamento no litoral ao sul de Santos, na cidade de Itanhaém e clima mais ameno do que o do Rio de Janeiro…

E no ano seguinte já morando em Itanhaém, a mãe de minha mulher, que residia em Friburgo e sofria de câncer em estado terminal, veio viver conosco seus últimos dias; coincidentemente, anos antes seu marido também morrera de câncer, em nosso apartamento no Rio de Janeiro.

Circunstâncias significativas e sonhos repetitivos que ocorrem mais além da nossa vontade consciente; vindo de dentro ou de fora, eles jamais acontecem ao acaso e nos trazem sempre lições profundas a serem apreendidas. Um sábio chinês ensina: “Quando as ocupações se nos propõem, devemos aceitá-las; quando as coisas acontecem em nossa vida, devemos compreendê-las até o fundo”. (Mestre Lü Dsu). [Cf. ‘O Segredo da Flor de Ouro’, p.34. C.G. Jung. Vozes. 1983].

“Essa é a cruz que Deus me deu!”… Quem já não ouviu essa frase, que as pessoas repetem ingenuamente sem questionar nem buscar suas próprias respostas? E para desmistificar esse falso conceito, vamos contar uma história verídica, que acompanhamos de perto em nossa vida particular.

Ela se chamava Maria, nome tradicional na família austríaca; alegre, bondosa e prestativa, conseguia intuitivamente ajudar aos doentes através de ervas e banhos medicinais; talvez herança inconsciente do passado. Em geral, a doença decorre de infligirmos leis que regem a vida física e psíquica; mas muitos crentes são induzidos a crer que a doença é castigo divino; e ela, pessoa caridosa, não entendia o ‘castigo’. Dizia: “Mein Gott! (Meu Deus!) Por que tenho que sofrer tanto?”

Na época, minha mulher e eu já passáramos por uma série de experiências de primeira mão e adquirido conhecimentos mais amplos e profundos. Mas, como o catolicismo nega o ciclo de existências, o que podíamos explicar a ela, criada nessa crença, sobre vidas passadas e escolhas noutro nível de consciência antes de descer a esta dimensão?!

E simplesmente nós dois nos calávamos. Mas, como estava presa ao leito (alugáramos uma cama hospitalar), gostava de leitura e tínhamos em casa livros na língua alemã sobre cristianismo rosacruz, adquiridos pela filha em nossas viagens à Europa; ela se interessou e uma porta se lhe abriu… [Jesus dizia a todos: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia, tome a sua cruz e siga-me”. Lucas, 9:23].

Cerca de três dias antes de seu passamento, ela nos chamou logo que acordou, dizendo: “Quero contar uma história para vocês. Havia um homem que tanto se queixou de seu sofrimento, que o Senhor lhe apareceu, e o homem então Lhe perguntou: ‘Senhor, por que tenho que sofrer tanto?’ (era a mesma pergunta que ela sempre nos fazia). E o Senhor, respondeu: ‘Você acha que sua cruz está demasiado pesada? Você quer escolher uma outra cruz?’ – “Sim, Senhor! Eu gostaria”…

O homem foi levado então ao “lugar das cruzes” [note bem: cruz e não crucifixos]… Ali havia um monte de cruzes, de infinita variedade: cruzes de pedras preciosas, ouro, prata, tronco de árvores, etc. E o homem viu ali uma cruz cujo brilho se destacava das outras, apontou-a e disse: “Senhor, já sei qual cruz que eu quero!” E o Senhor então exclamou: ‘Mas, essa é a sua cruz! Você escolheu antes a cruz de ouro; ela é uma cruz muito brilhante, mas também muito pesada!’…

O homem finalmente compreendeu que sua cruz não lhe fôra imposta por Deus, e sim que carregava a cruz que era fruto de sua própria e livre escolha… Aceitou então a sua cruz, e ela já não lhe pesava mais tanto… D. Maria nos fitou, e concluíu: “Agora sei, que escolhi a cruz de ouro!”

Minha mulher e eu nos entreolhamos num misto de surpresa e gratidão, profundamente tocados. Estávamos arrepiados. Sem que a mãe soubesse, acabara de descrever o “lugar das cruzes”, aonde a filha fôra levada, 21 anos antes e aos seis meses de casados, durante sua ‘experiência de quase-morte’! Fato que abriu a porta para iniciarmos nossa busca de respostas mais amplas, que culminaria com o reencontro de nosso caminho espiritual escolhido, há 700 anos atrás, entre cátaros e templários do Sul da França…

Sabendo que D. Maria estava prestes a deixar a veste física, decidimos levá-la para S. Paulo naquela 6ª feira e interná-la na Clínica Tobias, onde seria assistida por médicos antroposóficos que falavam alemão. E ela, pressentindo a proximidade de sua passagem, chamou-me a parte e fez seu último pedido: queria ser enterrada ao lado dos restos de seu marido, no Cemitério S. João Batista em Nova Friburgo. Tranqüilizei-a que assim seria feito e três dias depois, na 2ª feira ao meio-dia, ela deixava para trás sua veste temporal…

Providenciamos uma urna lacrada e a transportamos direto para Friburgo e o corpo foi velado na capela São João Batista. Na manhã seguinte ajudei a carregar o caixão e alguém veio me substituir. E não sei explicar por que, ao invés de juntar-me aos seus parentes e amigos atrás do féretro, comecei a caminhar na frente, interiormente satisfeito por ter cumprido seu último pedido. Pensava nela e aconteceu algo inesperado!

Estranhei que eu inconscientemente colocara a mão esquerda sobre o coração, e quis tirá-la, mas num relance claro percebi que ela caminhava de braço dado comigo! Vestia seu vestido predileto, azul com pequeninas rosas amarelas – e não o do caixão; seu corpo rejuvenescido aparentava 30/40 anos e numa radiante alegria, comunicou-se telepaticamente comigo dizendo que não tinha palavras para expressar sua felicidade!

Eu nunca tivera tal experiência e até hoje me sinto grato por me propiciar essa inesperada vivência. Na hora de descer a urna ao túmulo, não resisti e apontei o caixão às pessoas ao redor, e lhes disse serena e firmemente: “D. Maria não está mais ali! Deixou para trás sua veste corporal e está feliz noutro corpo; ela deu um passo para a eternidade. E minha mulher lhes contará o que sua mãe nos revelou três dias antes de partir”. E todos escutaram fascinados a história da cruz, que agora partilhamos com você…

Mas ainda nos resta contar outro fato inusitado: Cansados da viagem, dirigindo o carro de S.Paulo a Friburgo  e a vigília noturna, hospedamo-nos no Hotel Fabris e fomos dormir cedo, mas fui acordado alta madrugada pela minha mulher. Emocionada, contou-me que despertara ouvindo um canto angélico; discernia vozes de amigos e amigas que partiram antes de nós, entoando o Hino de Shamballa: ‘Ó Cidade Santa, vem teu viajor!” – Ela  ‘viu’ um canal de luz pelo qual o corpo de sua mãe ascendia pelos pés e uma voz falou: “Ela está sendo ascendida à região protegida do assédio de entidades do mundo astral, para que possa escolher livremente seu caminho na próxima existência”…

Antes de finalizar: Naquela mesma Clínica Tobias em São Paulo, havia uma pequena livraria na sala de espera e ali ‘descobri’ um livrinho à venda que me atraiu interiormente e o adquiri. Intitulava-se: “El Secreto de la Flor de Oro”. C.G. Jung/R. Wilhelm. Embora lesse bem o castelhano, havia ali termos junguianos que desconhecia na época, e a obra foi deixada na estante com outros livros…

Sete anos mais tarde reencontrei este precioso livrinho, após uma série de eventos que desencadeara outra tempestade e culminou com o meu afastamento do discipulado na Escola Espiritual de J. van Rijckenborgh (sede na Holanda), onde aprendiimportantes fundamentos  por trás das alegorias universais do cristianismo original, gnóstico-esotérico…

Além do mais aquela citada Escola Espiritual na Europa, foi a ponte significativa para chegar aos antigos santuários do Sul da França, conhecer melhor a verdade sobre os ensinos dos monges cristãos cátaros e dos templários, e ser guiados inesperada e sincronisticamente para onde aflorariam vívidos registros espontâneos do passado de nossas vidas há 700 anos atrás naqueles locais, cidades e castelos… [Clic: 'Nada Acontece Por Acaso na Vida: Sincronicidade'].

Desde então as portas se abriram para adentrar aos mistérios da ‘Sincronicidade’ e descobrir que, além dos laços cármicos do passado, existem fatores outros, além de traumas registrados em nosso ser profundo, influenciando o comportamento e atos na presente existência…

Tudo o que acabamos de relatar são histórias verídicas: a vivência do nosso mito e jornada pessoais, que mudou o rumo de nossas vidas, transformou a visão-de-mundo e revelou o sentido maior por trás de nossa existência nesta dimensão do espaço e tempo: “Nada Acontece Por Acaso” no universo de nossas vidas…

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Luz, Paz e Saúde!   (Campos de ]

[Revisado e modificado em 11.01.2010].