A ESCOLA DA VIDA. (Relato). Campos de Raphael.

“Citarei a verdade onde a encontrar”
(Richard Bach)
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Olho-de-Hórus. (Sol). Personifica o Espírito divino, que a tudo vê.   ‘Olho de Hórus’   
Olho-de-Hórus. (Lua). Personifica a Alma divina: 'A Luz brilha nas trevas'.
Desvelando os Mistérios da Vida’

“Há em mim uma história que deseja ser contada. Vim a conhecê-la ao contemplar os acontecimentos de minha vida. Consentir em ver com clareza exige esforço, e o esforço me revela a mim mesmo. Temos em nós o potencial para conhecer a verdade sobre nós mesmos e o mundo”… [Cf. "Como Ver a Sincronicidade" - 'Milagres Inesperados', p.63. David Richo. Pensamento].

Em criança recebi noções dos ciclos que ocorrem no macrocosmo, o grande universo; e mais tarde aprendi na Escola da Vida,  graças à chamada lei junguiana da ‘Sincronicidade’, a observar e a compreender os ciclos significativos que ocorrem dentro do microcosmo, o mágico micro universo de nossas vidas…

Circunstâncias significativas e sonhos repetitivos que ocorrem conosco, mais além da nossa vontade consciente -, jamais acontecem ao acaso e nos trazem sempre lições profundas a serem apreendidas. Um sábio chinês ensina: “Quando as ocupações se nos propõem, devemos aceitá-las; quando as coisas acontecem em nossa vida, devemos compreendê-las até o fundo”. (Mestre Lü Dsu). [Cf. ‘O Segredo da Flor de Ouro’, p.34. C.G. Jung. Vozes. 1983].

‘Em busca da Verdade”. (ilust. ‘Mitos & Heróis’).“O emaranhado babilônico do espírito ocidental produziu tal desorientação, que todos anseiam por verdades mais simples ou, pelo menos, idéias que falem não somente ao intelecto, como também ao coração, trazendo clareza ao espírito observador e paz ao incessante turbilhão de sentimentos”. [Cf. ‘O Segredo da Flor de Ouro’, p.16. C. G. Jung / R. Wilhelm. Vozes. 1983].

Você já parou para observar os ciclos e situações que se repetem no universo da sua própria vida? Basta prestar atenção para descobri-los; na minha vida pessoal eles têm  ocorrido ao redor de ciclos de 7 anos. Trabalhando e vivendo na ‘Cidade Maravilhosa’ do Rio de Janeiro e depois de estar casado há sete, o fluxo do destino levou-nos para São Paulo; ali, após mais dois ciclos de 7 anos, a direção da companhia (CSN) decidiu afastar de seus cargos quem tivesse mais de 40 anos, propondo um acordo trabalhista. E assim, esse inesperado acontecimento permitiu que viéssemos a adquirir um belo apartamento em Itanhaém, no litoral ao sul de Santos e de clima bem mais ameno…

Logo depois a mãe de minha mulher, que residia em Nova Friburgo e sofria de câncer em estado terminal, veio também viver conosco os últimos dias… Por coincidência sincronística, quando residíamos ainda no Rio de Janeiro, o Hospital de Câncer nos enviara seu pai, desenganado pelos médicos, para morrer em nosso apartamento no Flamengo. Fôra com o pai, que falava e escrevia nove idiomas e apreciava música erudita, que ela aprendera na adolescência a tocar piano, praticar alpinismo nas montanhas da Serra do Mar, que rodeiam Friburgo e Teresópolis, e gosto pelas artes plásticas (vêr tela: “Dedo de Deus”)…

 

“Essa é a cruz que Deus me deu!”… Quem já não ouviu essa frase, que as pessoas repetem ingenuamente sem questionar nem buscar suas próprias respostas? E para desmistificar esse falso conceito, vamos contar uma história verídica, que acompanhamos de perto em nossa vida pessoal.

Chamava-se Maria, nome tradicional na família austríaca; alegre, bondosa e prestativa, conseguia intuitivamente ajudar aos doentes através de ervas e banhos medicinais; talvez herança inconsciente do passado. Em geral, a doença decorre de infligirmos leis que regem a vida física e psíquica; mas muitos crentes são induzidos a crer que a doença é castigo divino; e ela, pessoa caridosa, não entendia o ‘castigo’. Dizia: “Mein Gott! (Meu Deus!) Por que tenho que sofrer tanto?”

Na época, já atravessáramos uma série de experiências inusitadas, vivências profundas, adquirindo conhecimentos de primeira mão, além de ter experienciado inesperada regressão à vida passada no Sul da França… Mas, como explicar à D. Maria, criada na crença do catolicismo oficial que nega o ciclo de existências, a respeito de escolhas e atos em vidas passadas, ou escolhas noutro nível de consciência da alma, antes de descer da região além da vida?!

E simplesmente nós dois nos calávamos. Mas, embora presa ao leito na cama hospitalar em nossa casa, ela apreciava leitura em alemão e como em nossas viagens à Europa havíamos adquirido livros cristão-esotéricos de cristianismo rosacruz, ela se interessou por eles e uma porta se lhe abriu… E Jesus Cristo dizia a todos: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia, tome a sua cruz e siga-me”. (Lucas, 9:23).

Cerca de três dias antes de seu passamento, ela nos chamou logo que acordou, dizendo: “Quero contar uma história para vocês. Havia um homem que tanto se queixou de sofrer, que o Senhor lhe apareceu, e o homem lhe disse: ‘Senhor, por que tenho de sofrer tanto?’ (pergunta que ela mesma sempre nos fazia). O Senhor, respondeu: ‘Você acha que sua cruz está demasiado pesada?’ – ‘Sim!’ queixou-se. ‘Você quer escolher uma outra cruz?’ – ‘Sim, Senhor eu gostaria’…

O homem foi levado então ao lugar em que havia um monte de cruzes, de infinita variedade; cruzes de tronco de árvores, de pedras preciosas, ouro, prata, etc. E o homem viu ali uma cruz cujo brilho se destacava das outras, apontou-a e disse: ‘Senhor, já sei qual cruz que eu quero!’ Ele respondeu: ‘Essa é a sua cruz! Você escolheu antes a cruz de ouro; é uma cruz muito brilhante, mas também muito pesada!’…

O homem finalmente compreendeu que não fôra Deus que lhe impusera aquela cruz, e sim que carregava a que ele próprio escolhera por sua livre vontade. Aceitou então a sua cruz e ela já não lhe pesava mais tanto”… D. Maria nos fitou serenamente, e concluíu: “Agora sei. Eu também escolhi a cruz de ouro!”

Minha mulher e eu nos entreolhamos, profundamente tocados e arrepiados, num misto de surpresa e gratidão. Sua mãe não sabia que acabara de descrever o lugar aonde a filha fôra levada 21 anos antes, durante a sua “experiência de quase-morte”… Na época, ainda recém-casados, vivenciamos paralelamente a outra realidade que nos permeia, dentro e ao redor de nós, abrindo uma porta para busca e reencontro de nosso caminho espiritual, desde o passado!

E sabendo que D. Maria estava prestes a deixar a veste física, decidimos levá-la naquela mesma 6ª feira para a Clínica Tobias em S.Paulo-Capital, onde seria assistida por médicos antroposóficos que falavam alemão. E ela, pressentindo a proximidade de sua passagem, chamou-me a parte e fez seu último pedido: queria ser enterrada ao lado dos restos de seu marido, no Cemitério S. João Batista em Nova Friburgo. Tranqüilizei-a que assim seria feito e três dias depois, na 2ª feira ao meio-dia, ela deixava sua veste temporal…

Providenciamos a urna e a transportamos direto para Friburgo e o corpo foi velado na capela São João Batista. Na manhã seguinte ajudei a carregar o caixão e alguém veio me substituir. E não sei explicar por que, ao invés de juntar-me aos seus parentes e amigos atrás do féretro, comecei a caminhar na frente, interiormente satisfeito por ter cumprido seu último pedido. Pensava nela e aconteceu algo inesperado!

Estranhei que eu inconscientemente colocara a mão esquerda sobre o coração, e quis tirá-la, mas num relance claro percebi que ela caminhava de braço dado comigo! Vestia seu vestido predileto, azul com pequeninas rosas amarelas – e não o do caixão; rejuvenescida e  rejuvenescido aparentava 30/40 anos e numa radiante alegria, comunicou-se telepaticamente comigo dizendo que não tinha palavras para expressar sua felicidade!

Eu nunca tivera tal experiência e até hoje me sinto grato a ela por me propiciar a inusitada vivência. No momento de descer a urna ao túmulo, não resisti e apontei o caixão às pessoas ao redor, e afirmei: “D. Maria não está mais ali! Deixou para trás a veste corporal e está feliz noutro corpo; ela deu o primeiro passo para a eternidade. E minha mulher lhes contará agora o que sua mãe nos revelou três dias antes de partir”. E todos ouviram, fascinados, a história da cruz, que agora partilhamos com você…

Mas ainda falta dizer algo mais: À noite, cansados da viagem e toda a noite acordados, fomos dormir cedo, mas acordei alta madrugada pela minha mulher. Contou-me que acordara ouvindo claramente um coral cantando o ‘Hino de Shamballa’; ela conseguia discernir até vozes de amigos que partira antes de nós; a letra dizia: “Ó Cidade Santa, vem teu viajor!” – Minha esposa “viu” ainda ao mesmo tempo um ‘canal de luz’ por onde ascendia o corpo de sua mãe; e nesse instante uma voz angelical disse: “Ela está sendo encaminhada a uma região protegida das entidades astrais, onde poderá escolher livremente o caminho para sua próxima existência”…

Antes de finalizar: Naquela mesma Clínica Tobias, havia uma pequena biblioteca na sala de espera e enquanto a minha mulher se despedia a sós de sua mãe, “descobri” um livrinho desconhecido à venda, que me atraiu e o adquiri por impulso íntimo. Intitulava-se: “El Secreto de la Flor de Oro”. C.G. Jung/R. Wilhelm. 1961 (catorze anos antes)…

Mais outro ciclo de sete anos, encontrei esse livrinho esquecido na minha estante; uma inesperada série de eventos desencadeara outra tempestade em nossas vidas, afastando-me da escola espiritual em que me achava. Nesse ínterim, eu percebera que naqueles acontecimentos intervira um fator desconhecido, para além dos laços cármicos e da vontade consciente dos envolvidos, e ansiava por respostas que atendesse ao coração e a consciência, e também uma nova via para prosseguir nosso caminho espiritual.

Abri aleatoriamente o livro e “achei” uma página marcada por fita vermelha, com as palavras: “Não Temas”. Estas palavras caíram como bálsamo no coração, aquietando de imediato a angústia de minha alma. Entre outras coisas, a página escrita por Jung, falava sobre vivências íntimas e eventos sincronísticos, dizendo:

“Ao observar a via de desenvolvimento daqueles que silenciosamente e inconscientemente se superaram a si mesmos, constatei que seus destinos tinham algo em comum: o novo vinha a eles do campo obscuro das possibilidades de fora ou de dentro, e eles o acolhiam e com isso cresciam. Parecia-me típico que uns o recebesse de fora e outros, de dentro, ou melhor, que em alguns o novo crescesse a partir de fora e em outros, a partir de dentro. Mas de qualquer forma, nunca o novo era algo somente exterior ou somente interior. Ao vir de fora, tornava-se a vivência mais íntima. Indo de dentro, tornava-se acontecimento externo. Jamais era intencionalmente provocado ou conscientemente desejado, mas como que fluía na torrente do tempo”. [Cf. ‘O Segredo da Flor de Ouro’, p. 31/32. Vozes. 1983].

E então as portas se abriram para adentrar aos mistérios da ‘Sincronicidade’: “Ter compaixão significa agir de modo tal que todos os seres fiquem em paz e plenos de iluminação. O despertar pessoal traz consigo um impulso interior para que os outros também sejam despertados. Esse impulso advém de um sentido de solidadriedade com todos os seres e com o todo da natureza – o que é o próprio fulcro da sincronicidade. Disso resulta a indistinção entre tempo e intemporalidade, sujeito e objeto, homem e mulher, humanidade e natureza. Esse transcender aparentes opostos é a sincronicidade espiritual em ação”. [Cf. 'Milagres Inesperados', p.14. David Richo. Pensamento. 2001].

É o livro que citei na abertura desta história. Lembra-se? - ‘NADA ACONTECE P0R ACASO’… 

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Luz, Paz e Saúde!   (Campos de ]

[Natal de 2009. Revisto em 11.01.2010].